Portugal é o país do Mediterrâneo mais devastado pelos incêndios

Estudo conclui que Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Turquia totalizam mais de 80% da área total queimada no continente europeu anualmente.

A organização não governamental World Wide Fund for Nature divulgou, esta quinta-feira, o relatório Arde o Mediterrâneo, sobre os incêndios que têm ocorrido desde o início do século, e conclui que Portugal é o país da lista onde mais área é queimada anualmente, registando uma média de 22.600 incêndios por ano. Espanha surge em segundo lugar com 12 mil incêndios e a Grécia em terceiro com nove mil incêndios.

"Portugal é, de longe, o país mediterrânico mais afetado pelos incêndios florestais: nos últimos 30 anos é o país que enfrentou o maior número de sinistros e teve mais hectares queimados (...) Em média, um ano, mais de 3% de sua área florestal é queimada", pode ler-se do documento.

Segundo o estudo, Portugal viveu anos críticos em 2003, 2005 e 2017, ano dos incêndios de Pedrógão Grande, que fez 66 mortos (65 civis e 1 bombeiro voluntário) e mais 254 feridos. "Em 2017, em Portugal 540.000 hectares ficaram em chamas, 250% a mais do que área média ardida por ano. Em Espanha cerca de 180.000 hectares arderam, 70% a mais do que o habitual anual. Além disso, 119 pessoas perderam a vida em Portugal e 4 na Espanha", refere o documento, lembrando que "não há dados sobre incêndios que queimam mais de 500 hectares" no país.

Juntos, Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Turquia totalizam mais de 80% da área total queimada no continente europeu anualmente. Em média, 375 mil hectares de floresta são queimados em apenas um ano na região do Mediterrâneo, num total de 56 mil incêndios florestais.

Ainda segundo o estudo a luta contra os incêndios na zona mediterrânea tem custos de dois mil milhões de euros a cada ano e perdas de três mil milhões de euros para a Europa. Ou seja, a paisagem sofre e com isso o turismo pode baixar. "O Mediterrâneo tornou-se o principal destino de férias em todo o mundo. 32% dos turistas internacionais escolhem a região, que responde por 30% do total renda do turismo mundial. As previsões mais otimistas sugerem que a área Mediterrâneo atingirá 420 milhões de turistas no ano de 2020. França, Itália, Espanha, Grécia e Turquia lideram o ranking, com 80% dessas chegadas", constata o estudo.

O relatório revela ainda que 96% dos incêndios na região tiveram origem criminosa. E além disso, os incêndios florestais deixaram de ser um problema do verão, uma vez que 55% dos casos ocorreram no mês de outubro. "Os ecossistemas mediterrâneos são especialmente vulneráveis ​​às alterações climáticas", segundo a World Wide Fund for Nature, que dá como exemplo o nosso país: "Em junho de 2017 produziu-se em Portugal, pela primeira vez, uma nova tipologia de incêndios desconhecida."

Além disso, entre 2000 e 2016, cerca de 488 bombeiros e civis europeus perderam a vida, 30 vítimas mortais por ano em média.

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