PIB brasileiro desacelera; Bolsonaro manda humorista comentar

No dia em que se soube que a economia registou o pior crescimento dos últimos três anos, imprensa foi surpreendida com um imitador do presidente a fazer piadas à saída do Palácio do Alvorada

Em 2019, o PIB brasileiro cresceu 1,1%, menos do que nos dois anos anteriores, um registo que surpreendeu negativamente os analistas. Mas em vez de ser Jair Bolsonaro, o presidente da República, a comentar os dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) perante a imprensa, foi um humorista que se pronunciou sobre o assunto.

O facto inusitado ocorreu na manhã desta quarta-feira, à frente do Palácio do Alvorada, residência oficial do chefe de estado, onde normalmente Bolsonaro tira selfies com apoiantes e responde aos jornalistas. De uma viatura oficial, em vez do presidente saiu Carioca, um cómico, com a faixa presidencial vestida, a distribuir bananas - cujo significado é equivalente a manguito, no Brasil - à imprensa. Minutos depois, o presidente surgiu. Questionado sobre o resultado fraco da economia no seu primeiro ano de gestão, perguntou ao humorista "o que é o PIB?".

A coordenadora do IBGE Rebecca Palis disse que o Brasil apresenta "três anos de resultados positivos, mas o PIB ainda não anulou a queda de 2015 e 2016 e está no mesmo patamar do terceiro trimestre de 2013".

Depois, no final da gestão de Dilma Rousseff, em 2014 e 2015, a economia teve dois anos de encolhimento, crescendo ligeiramente no governo de Michel Temer. Agora, sob Bolsonaro, ao contrário do que chegou a ser previsto, cresceu ainda mais ligeiramente - na imprensa voltou a ser chamado de "pibinho".

Para 2020, economistas consultados pelo Banco Central preveem crescimento de 2,17%, A estimativa é menor que a do início do ano, que era de crescimento do PIB de 2,3%, por causa do fenómeno do novo coronavirus.

Ao não comentar este dados, Bolsonaro reforça que assuntos económicos são com Paulo Guedes, o superministro da área. O então candidato à presidência disse durante a campanha que não entendia do assunto.

O recurso a um humorista reforça, por outro lado, a relação tensa da presidência com a imprensa, sobretudo numa semana em que as redes sociais especularam sobre um suposto caso conjugal da primeira-dama Michelle Bolsonaro com um ministro entretanto demitido por Bolsonaro, com base em artigo veiculado pela revista de informação geral IstoÉ. Os principais órgãos de comunicação social do Brasil, no entanto, não abordaram o tema.

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