Pedro Sánchez falha primeira tentativa de investidura

Como esperado, o socialista Pedro Sánchez não obteve uma maioria de votos favoráveis à sua investidura, embora tudo indica que na terça-feira seja confirmado como primeiro-ministro da primeira coligação da democracia espanhola.

Na primeira votação, Sánchez foi incapaz de recolher no Congresso dos Deputados, os apoios necessários para ser investido como primeiro-ministro, apesar de obter 166 votos a favor, 165 contra e 18 abstenções. O candidato do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) precisava, nesta primeira tentativa, de ter conseguido o voto favorável de metade dos deputados mais um, ou seja, 176 votos da totalidade dos 350 deputados espanhóis, para ser confirmado no lugar que ocupa desde junho de 2018.

Pedro Sánchez vai ter uma outra oportunidade para ser investido daqui a dois dias, na terça-feira, à mesma hora, que tudo indica vai ser bem-sucedida, numa segunda votação em que apenas necessita de ter mais votos a favor do que contra.

A deputada da Unidas Podemos Aina Vidal, doente, não pôde comparecer, pelo que na terça-feira, tendo em conta os acordos estabelecidos e os anúncios dos partidos é de prever que Sánchez receba 167 votos a favor. Era de esperar 19 abstenções e 164 votos não, mas a deputada da Coalición Canaria Ana Oramas, ao arrepio das indicações do partido, votou contra em vez da abstenção.

Ou seja, na terça-feira, basta um deputado mudar do sim para o não para se registar um empate e a investidura falhar. Foi essa a estratégia do Ciudadanos e do Vox, com o primeiro a apelar para um "corajoso socialista" que rejeite o acordo do PSOE com os catalães independentistas da ERC e o segundo a fazer fogo ao único deputado de Teruel Existe, com o argumento de que o pacto PSOE-ERC as gentes de Turuel (Aragão) "passarão a ser espanhóis de terceira".

O debate de domingo ficou marcado pelo discurso da deputada Mertxe Aizpurua, do EH Bildu, a formação nacionalista basca cujo líder é o ex-dirigente da ETA Arnaldo Otegi. A porta-voz no Parlamento do partido abertzale chamou "franquistas" aos partidos de direita PP, Vox e Ciudadanos e criticou as "receitas autoritárias", entre as quais a reação do rei de Espanha ao referendo ilegal na Catalunha.

Dois deputados do Vox, que perderam familiares em atentados da ETA, abandonaram o hemiciclo, enquanto outros deputados gritavam "assassinos", "terroristas" ou "viva o rei". Um dos secretários da mesa do Congresso, Adolfo Suárez (PP), filho do ex-primeiro-ministro homónimo, rompeu a neutralidade que deve estar reservada àquela função e virou costas a Aizpurua.

A presidente do Congresso dos Deputados, Meritxell Batet, foi obrigada a intervir para pôr ordem na assembleia. Perante as críticas, inclusive ao seu trabalho, por deixar a deputada basca falar, Batet declarou: "Houve outras épocas neste país em que, de facto, a crítica ao governo e a outras autoridades do Estado não era permitida. Felizmente essas épocas já passaram e hoje vivemos em plena democracia."

Sánchez defende diálogo

Na abertura do debate de investidura, no sábado, Pedro Sánchez rejeitou as acusações das formações da direita e defendeu o acordo com a Esquerda Republicana Catalã.

O candidato à investidura sublinhou que o diálogo é a "única via possível" para resolver o "conflito" catalão e assinalou que esse diálogo deve estar apoiado na Constituição. "Abramos um diálogo honesto amparado pela segurança que é concedida pelo nosso sistema jurídico", disse o responsável, considerando que é necessário deixar para trás a "judicialização do conflito" e "retomar o caminho da política".

O presidente do governo em funções insistiu que é necessário recomeçar e retomar esse diálogo no momento em que os caminhos se separaram e em que "os argumentos de uns e de outros deixaram de ser ouvidos". Sánchez considerou "inegáveis" os diferentes sentimentos existentes hoje na Catalunha e reconheceu que nos últimos anos tem havido um "abandono" e uma "incapacidade" de resolver este conflito, que também justificou pelas "debilidades e desgastes do sistema autonómico" que é "preciso corrigir".

O acordo entre ERC e PSOE tem dois pontos: o reconhecimento de que existe um conflito político e que é nesse campo que tem de ser resolvido e, em consequência, a criação de uma "mesa bilateral de diálogo", entre governo central e governo autonómico, para a resolução do mesmo. E um acordo que saia dessa mesa será sujeita a consulta por parte dos catalães. "As medidas de concretização dos acordos serão sujeitas, se for caso disso, à validação democrática através da consulta aos cidadãos da Catalunha, de acordo com os mecanismos previstos ou que possam ser previstos no âmbito do sistema jurídico-político."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG