Pedro Mota Soares: "Há um reforço do multipartidarismo"

Pedro Mota Soares, ex-ministro e atual deputado do CDS, é um dos parlamentares portugueses que está em Luanda como observador, a convite da Comissão Nacional de Eleições angolana. Do que viu por estes dias destaca a tranquilidade do processo eleitoral. E sublinha que, do que se pode concluir até agora, estão alcançados três grandes objetivos, um deles o reforço do multipartidarismo.

Na sua perspetiva como decorreu o processo eleitoral?

Tive oportunidade de visitar 14 assembleias de voto na região de Luanda, algumas mais urbanas, outras nos bairros à volta de Luanda, e este ato eleitoral não tem nada a ver com outros que aconteceram anteriormente. Em todas as mesas de voto encontrámos delegados dos vários partidos políticos, fui perguntando se tinha havido problemas e ninguém, de nenhum partido, reportou qualquer tipo de problemas. Não posso falar sobre o que aconteceu no interior do país, não estive lá, mas o que testemunhei foi que o processo eleitoral estava bem organizado e decorreu de uma forma tranquila.

E participada?

Numa das assembleia tivemos oportunidade de observar a contagem de votos, a participação eleitoral era francamente boa. Estamos a falar, naquela assembleia, de uma participação eleitoral superior a 75%. É importante destacar que as pessoas quiseram participar nesta eleição. Ainda não há dados globais sobre a abstenção, mas os primeiros indicadores apontam para uma participação elevada.

Já no pós-eleições o MPLA veio anunciar resultados eleitorais que a UNITA entretanto contestou. Acredita que o clima de tranquilidade se manterá?

Desta eleição esperavam-se três coisas muito relevantes: a primeira, a consolidação do processo democrático; a segunda, a manutenção de um clima de paz e estabilidade que é absolutamente essencial para os desafios que Angola enfrenta; e terceiro, um reforço do próprio multipartidarismo. O processo ainda não terminou, na medida em que não estão anunciados os resultados finais, mas parece-me que, até agora, se conseguiram atingir esses três objetivos. O processo eleitoral foi tranquilo - claro que pode haver casos, incidentes, isso acontece em qualquer eleição -, mas no global correu de forma tranquila e isso ajuda a consolidar o próprio processo democrático. Uma segunda nota é que o processo não trouxe instabilidade ao país. E, não conhecendo ainda os resultados finais, percebemos que há um reforço do multipartidarismo em Angola, com um conjunto de partidos a terem mais representação, isso é fundamental até numa lógica de checks and balances. E isso é relevante. Isto, como é óbvio sem nunca nos intrometermos nas questões internas de um Estado, que é um Estado amigo de Portugal, que tem uma longa relação com Angola, histórica e cultural.

É muitas vezes uma relação conturbada...

As relações entre países que têm uma história tão longa têm sempre questões. Nesse sentido também é importante percebermos que esta eleição ajuda a consolidar todo o processo democrático em Angola, um clima de paz e estabilidade. Angola fez um caminho muito forte desde a guerra civil até à paz e esta eleição pode servir também para consolidar isso. E um reforço do quadro multipartidário ajuda ainda mais. É o que espero que resulte deste processo.

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