Partido no poder na Arménia cede a líder da oposição

Parlamento vota na próxima quarta-feira o nome de novo chefe do governo. Só a oposição apresentará candidato.

A maioria das atividades económicas esteve ontem paralisada na Arménia, país a viver uma grave crise política desde que o primeiro-ministro e antigo presidente Serge Sarkissian recuou na intenção de permanecer no poder. E, ao final do dia, o líder da oposição, Nikola Pachinian, anunciava a uma multidão reunida numa das principais praças da capital, Erevan, que será ele o próximo chefe do governo.

O nome de Pachinian, que dirige o Yelk (nove deputados num total de 105), fora votado terça-feira no Parlamento mas não teve o número suficiente (53 votos) para ser designado. Foi na sequência desta votação que Pachinian convocou para ontem um dia de greve nacional e desobediência civil para forçar o Partido Republicano (PR), no poder e com maioria absoluta no Parlamento (58 deputados) a aceitar a sua designação como primeiro-ministro. O que, aparentemente, parece ter conseguido, com Pachinian a garantir aos manifestantes que "todos os grupos" no Parlamento estão de acordo com a sua eleição.

Pouco depois da intervenção de Pachinian, que pediu o fim das manifestações e da greve, o PR tornou público um comunicado em que, sem referência ao nome do líder da oposição, revelava que não apresentaria candidato para a votação prevista para a próxima quarta-feira, dia 9, e apoiaria um nome proposto por um terço dos deputados. Além do Yelk, duas outras formações, a Federação Revolucionária Arménia (FRA, sete eleitos) e a Próspera Arménia (31 deputados) oposicionistas estão representadas no Parlamento. A FRA, que estava coligada com o PR, passou à oposição a 24 de abril.

Se na votação de dia 9 não for designado um novo primeiro-ministro, o Parlamento é dissolvido e realizar-se-ão legislativas no prazo de 45 dias. Antes de ser conhecido o recuo do PR, chegou a especular-se se Pachinian, que dirige a contestação iniciada a 13 de abril, voltaria a apresentar-se à votação ou seria escolhido um outro candidato que pudesse ter alguns votos da formação no poder.

A atual vaga de contestação deveu-se ao anúncio de que o presidente cessante, Serge Sarkissian, no cargo desde 2008, seria o candidato do PR a primeiro-ministro, tornando-se o detentor do real poder político após uma revisão constitucional criticada pela oposição. Apesar das manifestações iniciadas a 13 de abril, o Parlamento deu luz verde quatro dias depois à eleição de Sarkissian. Os protestos intensificaram-se e Pachinian chegou a ser preso a 22 de abril, para ser libertado no dia seguinte, quando Sarkissian apresentou a demissão. Desde então, viveu-se um impasse no Parlamento, que terá sido agora superado.

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