Papa visita Arménia, primeiro país do mundo a adotar o cristianismo

A Igreja afirma que os apóstolos São Bartolomeu e São Judas Tadeu foram os primeiros a pregar na Arménia, no século I

O papa Francisco inicia na sexta-feira uma visita à Arménia, considerado como o primeiro Estado a ter adotado o cristianismo no início do século IV.

A região onde se situa a Arménia da atualidade é uma terra bíblica, onde - de acordo com o livro do Genesis - a arca de Noé terá encalhado, de acordo com o primeiro livro do Antigo Testamento, Génesis. O local referido é o monte Ararate, que agora pertence à Turquia.

A Arménia é considerada como a primeira nação do mundo a ter adotado o cristianismo como religião de Estado no início do século IV.

Gregório, o Iluminador é o padroeiro e primeiro dirigente da Igreja arménia, tendo sido ele que converteu o país em 301, durante o reino de Tiridate III.

A Igreja afirma que os apóstolos São Bartolomeu e São Judas Tadeu foram os primeiros a pregar na Arménia, no século I. A Bíblia foi traduzida para arménio no século V por São Mesrop-Masthoc, que também criou o alfabeto arménio.

De acordo com o recenseamento de 2011, perto de 96% da população reivindicou pertencer à Igreja apostólica arménia.

Frequentemente definida como ortodoxa, a Igreja arménia afirma não integrar a corrente oriente, que inclui nomeadamente a Igreja ortodoxa russa e as Igrejas gregas.

Pertence a um grupo de seis Igrejas orientais cristãs, que rejeitam a doutrina da dupla natureza de Cristo, professando existir apenas uma, simultaneamente divina e humana.

A Santa Sé de Etchmiadzin, perto de Erevan, é a sede espiritual e administrativa da Igreja arménia e a residência do 132.º patriarca Karekin II, "catholicos de todos os arménios".

De 64 anos, Karekin II foi eleito em outubro de 1999 pelo Conselho supremo da Igreja, composta por clero e laicos.

Perto de sete milhões de arménios em todo o mundo pertencem a numerosas igrejas arménias na diáspora, que reconhecem a supremacia hierárquica de Etchmiadzin. As principais estão no Líbano, Jerusalém e Istambul.

A 23 de abril passado, a Igreja arménia canonizou 1,5 milhões de arménios massacrados pelos turcos otomanos durante a Primeira Guerra Mundial. A cerimónia foi considerada a maior canonização da história.

Os arménios tentam há décadas que os massacres de 1915-17 sejam reconhecidos internacionalmente como genocídio, termo que a Turquia rejeita, garantindo que se tratou de uma tragédia coletiva durante a qual morreu um igual número de turcos e arménios.

Francisco foi o primeiro papa a usar publicamente a palavra genocídio em abril de 2015, desencadeando a fúria de Ancara.

O programa da visita papal inclui uma visita ao memorial de Tsitsernakaberd dedicado às vítimas do genocídio.

Mais de 35 mil 'yazidis' vivem na Arménia, sendo a mais importante minoria religiosa do país. As outras minorias são cerca de 14 mil católicos romanos (9,6% da população total de 3,3 milhões de habitantes) e oito mil ortodoxos, principalmente russos, gregos, georgianos e ucranianos.

O papa vai reunir-se com a pequena estrutura eclesiástica de Roma no país, composta por três bispos, 20 irmãs e 27 sacerdotes.

A Igreja arménia católica foi fundada em 1740 com o apoio o do papa Bento XIV. O seu centro espiritual encontra-se na segunda maior cidade do país, Gyumri (norte).

Durante a viagem à Arménia, Francisco vai celebrar uma missa ao ar livre na praça principal de Gumri e visitar duas catedrais católicas.

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