Palestinianos alertam para violência se Trump mudar embaixada para Jerusalém

Autoridades israelitas temem ataques terroristas e vaga de protestos. Turquia ameaça cortar relações diplomáticas com os EUA.

A comunicação do presidente Donald Trump de que tenciona transferir a embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém, o que equivaleria a reconhecer a cidade como capital de Israel, desencadeou uma série de reações críticas, com o líder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, a considerar que tal decisão teria consequências perigosas no processo de paz, na segurança e na estabilidade na região e no mundo. Posições idênticas foram expressas por líderes de países árabes e muçulmanos, com a Turquia a ameaçar cortar relações diplomáticas com os EUA se se concretizar a decisão.

As autoridades israelitas, antecipando o anúncio da decisão que deverá ser hoje feito num discurso de Trump, estão a rever as medidas de segurança. The Times of Israel escrevia ontem que poderia assistir-se ao recrudescimento de ataques terroristas e a manifestações violentas de palestinianos. A mais recente vaga de protestos sucedeu em julho quando foram colocados detetores de metais à entrada da Mesquita da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, depois de três homens armados terem deixado o recinto e atacado elementos das forças de segurança israelitas, matando dois polícias.

Em Israel, o líder dos eleitos árabes no Knesset, Ayman Odeh, classificou Trump como um piromaníaco, que vai incendiar toda a região com a sua loucura. Um outro deputado árabe, Ahmad Tibi, considerou estar-se perante um ato de terrorismo diplomático, que põe em causa a ideia de dois Estados, referência àquilo que é considerada a solução mais adequada para a resolução do conflito israelo-palestiniano. Ou seja, a criação de um Estado independente da Palestina lado a lado com o Estado de Israel, permanecendo por definir as fronteiras, sendo que os palestinianos insistem na delimitação existente antes da guerra de 1967, o que não é aceite pelas autoridades israelitas.

O presidente americano desencadeou recentemente um ciclo de contactos, através do genro e conselheiro Jared Kushner, para reativar as negociações de paz, o que foi ontem recordado pelo principal conselheiro de Abbas, Nabil Shaath, precisando que, a verificar-se essa transferência, isso destruiria quaisquer hipóteses de Trump ter um papel ativo como mediador de boa vontade em futuras conversações israelo-palestinianas. Ainda segundo Shaath, Abbas comunicou ao presidente dos EUA que é posição firme dos palestinianos não ser possível um Estado palestiniano sem Jerusalém oriental como sua capital. Esta parte da cidade foi capturada à Jordânia pelas forças israelitas na Guerra dos Seis Dias, em 1967, posteriormente colocada sob sua soberania num movimento não reconhecido pela comunidade internacional. Desde então, Israel considera Jerusalém cidade indivisa e sua capital. Por seu turno, os palestinianos insistem em Jerusalém oriental para capital do seu futuro Estado.

A verificar-se a transferência, que foi uma das promessas eleitorais de Trump nas presidenciais de 2016, os EUA alterariam uma política de décadas defendendo que o estatuto final de Jerusalém deve ser decidido em negociações entre israelitas e palestinianos.

Invocando precisamente a resolução do conflito israelo-palestiniano, o rei Abdullah II da Jordânia, que tem a responsabilidade pelos lugares santos do islão em Jerusalém, indicou que a transferência da representação diplomática dos EUA para esta cidade terá repercussões perigosas se for efetuada fora do quadro da solução global do conflito. Também o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, aconselhou prudência a Trump para não complicar mais a situação no Médio Oriente.

Exclusivos