Óculos especiais ajudam rapaz daltónico a ver cores pela primeira vez

Jonathan Jones, de 12 anos, não sabia quão garridas podiam ser as cores à sua volta. Uns óculos especiais mudaram tudo.

Para o pequeno norte-americano Jonathan Jones, de 12 anos, as cores não têm a dimensão que têm para qualquer outra pessoa com uma boa visão. Mas uns óculos podem mudar tudo. O vídeo do momento em que o jovem daltónico experimentou estes óculos especiais pela primeira vez, enquanto estava na sala de aula, foi partilhado no Twitter pelo seu irmão, Ben Jones, e está a correr a internet. Jonathan emociona-se assim que coloca os óculos.

"O meu irmão mais novo é daltónico e o diretor da escola dele também. Enquanto aprendiam sobre daltonismo na aula, o diretor trouxe-lhe uns óculos que lhe permitiam ver cores pela primeira vez", relata o irmão do rapaz. "São todos teus", disse este mesmo diretor a Jonathan, entregando-lhe o par de lentes que mudariam a forma como vê o mundo para sempre. De repente, Jonathan torna-se capaz de olhar toda a sala em cores vivas. Não hesita em esboçar um sorriso, rapidamente substituído por lágrimas de alegria. "Ele ficou muito emocionado", acrescenta Ben Jones, no Twitter.

No vídeo, é possível ouvir várias pessoas dentro da sala de aula a pedir que olhe para diferentes objetos dentro da sala de aula. Entre eles, uma tabela periódica, pela qual Jonathan se mostra surpreendido, apercebendo-se da diversidade de cores que contém.

O daltonismo caracteriza-se como uma perturbação visual que torna a pessoa incapaz de diferenciar todas ou algumas cores. E podem ser vários tipos de daltonismo, desde a dificuldade em distinguir um determinado espetro de cores (como o vermelho e o verde) à completa cegueira para as cores - um tipo considerado raro.

Nos últimos anos, a ciência tem procurado dar resposta a esta patologia e é daqui que nascem os óculos de Jonathan. Em 2016, o cientista Don McPherson fez chegar aos EUA uns óculos que permitem distinguir todas as variedades de cores. A descoberta foi feita quase por acaso, quando McPherson estava a realizar uns testes com óculos para cirurgia a laser. Com esta ferramenta, os daltónicos tornam-se capazes de visualizar cores mais intensas e, por isso, de as distinguir. Mas o investigador não pensou no seu fim imediato, até um amigo daltónico o ter alertado que conseguia atingir visualmente muitas mais cores do que até então tinha atingido.

Entretanto, McPherson ganhou uma bolsa de investigação do National Institute of Health e co-fundou a EnChroma, em 2010, que agora produz estes óculos especiais. Mas não são funcionais para todos os tipos de daltonismo. Apenas 80% consegue tirar partido do efeito destes óculos.

Mas o preço destes óculos pode chegar perto dos 400 euros. E, por isso mesmo, Jonathan não tem como os manter, diz a Fox News. Neste sentido, a mãe da criança criou uma página de crowdfunding de forma a ajudar a arrecadar dinheiro para conseguir comprá-los.

"Depois de publicar um vídeo nas redes sociais em que Jonathan vê cores pela primeira vez, ficamos impressionados com quantas pessoas generosas queriam ajudá-lo a conseguir um par de óculos para daltónicos", confessava a mãe de Jonathan. Quaisquer fundos adicionais que cheguem a esta conta seriam doados a uma fundação que comprar óculos para quem não puder pagar", contava Carole Walter Jones. O objetivo já foi alcançado, em mais de 6700 euros.

O sexo masculino é o mais afetado por esta patologia visual. Em média, um em cada 12 homens é afetado por esta doença genética, quando apenas uma em cada 200 tem dificuldade em diferenciar as cores.

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