O "Governador Veto" quer ser o primeiro libertário a chegar à Casa Branca

Gary Johnson espera conquistar votos entre os republicanos anti-Trump e entre democratas anti-Hillary. Defensor de menos governo, menos impostos e da liberalização da marijuana, as sondagens dão-lhe perto de 10% dos votos

Quando se apresentou às presidenciais de 2012, Gary Johnson não chegou ao 1% dos votos. Quatro anos depois, as sondagens dão ao candidato libertário 10%. O suficiente para fazer este homem de 63 anos, bronzeado e grande desportista sonhar com um resultado à Ross Perot, o milionário do Texas que em 1992 chegou aos 19% e que Bush pai culpou pela sua derrota frente a um jovem Bill Clinton.

Para isso, o primeiro objetivo de Johnson é chegar aos 15% de intenções de voto que lhe garantiriam um lugar nos debates. O primeiro é já no próximo dia 26 e frente a dois candidatos tão impopulares como a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump, o ex-governador do Novo México aposta tudo na simpatia para obter um resultado histórico para os libertários. E no descontentamento dos eleitores com os dois partidos tradicionais.

"A maior parte dos americanos são libertários. Só ainda não sabem", não se cansa de repetir Johnson. O ex-governador pisca o olho tanto aos republicanos anti-Trump, tendo já atraído apoios de peso, sendo um dos mais sonantes, Mitt Romney, o ex-governador do Massachusetts que em 2012 perdeu as presidenciais para Obama e agora admite votar no candidato libertário. Outro eleitorado na mira de Johnson são os apoiantes de Bernie Sanders, o senador do Vermont que com a sua mensagem antissistema deu luta até ao fim a Hillary Clinton nas primárias democratas. Estes democratas anti-Clinton talvez apostem num candidato mais liberal em termos sociais e menos intervencionista em termos militares.

Conservador fiscal e socialmente liberal, Johnson é o típico libertário, que defende a menor intervenção possível do governo. Criado em 1971, o Partido Libertário já abrigou figuras como os irmãos Koch, que entretanto se tornaram nos grandes financiadores dos republicanos. Com uma base nacional que lhe permite resistir ao longo dos anos, tendo sempre um candidato presidencial próprio, os libertários têm em Ron Paul e Rand Paul alguns dos mais nomes mais conhecidos. Pai e filho, os Paul acabaram, contudo, por entrar na corrida republicana. No caso de Rand, já este ano.

Nos oito anos como governador republicano de um estado azul (democrata), Gary Johnson destacou-se pelos múltiplos vetos às leis apresentadas pelo Congresso dominado pela oposição. Nos primeiros seis meses no cargo, Johnson vetou 200 das 424 propostas de lei que lhe foram apresentadas - um recorde a nível nacional que lhe valeu a alcunha de "Governador Veto".

Com sucessivos cortes nos impostos, a verdade é que Gary Johnson conseguiu equilibrar as contas do Novo México. E quando deixou o cargo, em 2003, passou a dedicar-se a outra das suas causas: a legalização da marijuana.

Nascido em Minot, no Dacota do Norte, Johnson é filho de um vendedor de seguros e da contabilista do Gabinete dos Assuntos Indígenas do estado. Apaixonado pelo Novo México, o pai de Johnson mudou-se com a família para Albuquerque quando o filho tinha 13 anos. E aos 18, este já revelava dotes de empresário, trabalhando como faz-tudo, propondo os seus serviços porta-a-porta. Assim nascia a ideia para a sua empresa de construção, a Big J Enterprises, que fundou em 1975 e que lhe permitiu enriquecer de forma a ser ele a financiar a sua primeira campanha para governador.

Triatleta, apaixonado por bicicletas, foi numa corrida que conheceu a noiva, Kate Prusack, em 2009, quatro anos após se ter divorciado da namorada da universidade e mãe dos dois filhos. No seu currículo como desportista está a subida aos sete maiores montanhas do mundo. "Podia subir ao Evereste amanhã", garantiu à New Yorker.

Há quatro anos, o lado socialmente liberal - pró-casamento gay, pró-escolha no aborto, pró-imigração - de Johnson acabou por levá-lo a desistir da corrida republicana para ser o candidato libertário. Defensor da Segunda Emenda da Constituição, que garante o direito às armas, Johnson é a favor da retirada das tropas americanas de cenários de guerra e promete reduzir em mais de 40% o orçamento da Defesa. Parece contraditório, mas tudo faz sentido à luz da mínima intervenção do Estado.

Agora, fiel aos seus ténis Nike que usa mesmo com fatos e apoiado pelo seu candidato a vice, o também ex-governador William Weld, Johnson espera tornar a atenção mediática que tem recebido - da CNN, do Meet the Press da NBC e até do The Late Show with Stephen Colbert - numa votação histórica.

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