O Dia da Mulher pelos olhos das 21 embaixadoras em Portugal

A Associação das Mulheres Embaixadoras foi criada em 2015.

Do Paraguai às Filipinas, passando pela África do Sul ou a Suécia, as 21 embaixadoras residentes em Portugal (num total de 77 embaixadas) escrevem sobre os direitos das mulheres nos seus países e o que está a ser feito em nome da igualdade. As mensagens são publicadas por ordem de antiguidade no cargo.

Fatiha Selmane - Argélia

Os direitos das mulheres na Argélia registaram um avanço considerável após a independência do país, graças à consagração pela Constituição da igualdade de direitos entre homens e mulheres, à igualdade de salários para o mesmo emprego e, sobretudo, a uma política educativa baseada na escolaridade em massa das raparigas, permitindo-lhes assim o acesso a todos os domínios da vida política, económica e cultural. Assim, quer seja no governo, no Parlamento, na diplomacia, nas forças armadas, as mulheres estão presentes, sendo a maioria na saúde, na educação e an justiça. Mérito, em particular, do presidente da República atual, Abdelaziz Bouteflika, que esteve na vanguarda da paridade entre homens e mulheres lutando para que a mulher argelina tivesse um papel preponderante na vida do país e garantindo, nomeadamente, a adoção de medidas jurídicas destinadas a proteger as mulheres de todo o tipo de violência.

Saloua Bahri - Tunísia

A igualdade de género não é só um direito fundamental, mas um alicerce necessário para um mundo pacífico, próspero e sustentável. A Tunísia, que tem leis muito progressistas a favor das mulheres, garantidas no Código do Estatuto Pessoal de 1956 e na nova Constituição de 27 de janeiro de 2014, prossegue o caminho no reforço e na garantia da igualdade de oportunidades entre mulheres e homens em todos os domínios. As mulheres tunisinas, que contribuíram para o desenvolvimento e a modernização do país, continuam a ter um papel ativo e uma participação dinâmica na consolidação do processo democrático.

Maria da Paixão Costa - República Democrática de Timor-Leste

A mulher timorense teve um papel muito importante na luta pela independência de Timor-Leste, esteve na guerrilha, na clandestinidade ao lado dos seus compatriotas. Fazemos referência à guerrilheira Maria Tapó, que deu a vida na luta pela autodeterminação do seu país. Atualmente o nosso governo tem a preocupação de melhorar a situação da mulher, de modo que tenha as mesmas oportunidades que o homem para contribuir para o desenvolvimento do país. Nesta ocasião do Dia Internacional da Mulher, devemos procurar construir um mundo melhor, onde homens e mulheres vivem de forma harmoniosa, livre de violência e discriminação.

Kirsty Hayes - Reino Unido

O ministro Boris Johnson está profundamente empenhado na igualdade de género. A melhor forma de estabilizarmos e reduzirmos conflitos é garantindo que todas as raparigas têm acesso a 12 anos de educação e formação de qualidade. Se todas as mulheres concluírem o ensino secundário, a mortalidade infantil reduz-se para metade, salvando três milhões de vidas por ano. Doze milhões de crianças não sofreriam de subnutrição. Educação gera desenvolvimento, progresso, prosperidade, estabilidade e um mundo livre de conflito. Durante demasiado tempo, mulheres e raparigas viram-se privadas desse direito. Isso tem de acabar. Até 2020, vamos ajudar 6,5 milhões de raparigas a conseguir uma educação decente.

Klara Breuer - Hungria

Na Hungria, desde 2010, os programas governamentais e as medidas legislativas têm vindo a dar um contributo particularmente significativo para que as mulheres não precisem de escolher entre a vida familiar e profissional. Estas medidas favoráveis à família garantem a possibilidade de as mulheres progredirem na vida, melhorando, ao mesmo tempo, os indicadores demográficos e a competitividade do país. No Dia da Mulher, faço votos para que as mulheres de todas as partes do mundo possam gozar os mesmos direitos e liberdades que nós na Europa. Vilma Hugonnay (1847--1922), a primeira médica húngara disse: a minha espada é a ciência, o meu escudo é o trabalho. Feliz Dia Internacional da Mulher!

Ilka Varela de Bares - Panamá

No Dia Internacional da Mulher, felicito todas as mulheres portuguesas em nome do governo e do povo do Panamá. No meu país, demos um grande passo na procura da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, fortalecendo as políticas de empoderamento das mulheres, promovendo a redução das disparidades de género no local de trabalho e fortalecendo as instituições nacionais para a consecução do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável Número 5.

Ekaterini Simopoulou - Grécia

Hoje celebra-se o Dia Internacional da Mulher, na verdade não há um único dia do ano que não seja em homenagem das mulheres. Verifica-se, diariamente, que as mulheres do século XXI são particularmente afetadas pela crise económica, precisam de lutar todos os dias pela igualdade de direitos e por uma igual participação no mercado de trabalho, pela participação na política e na tomada de decisões, reivindicam diariamente uma vida sem violência. A igualdade de género constitui um princípio universal estipulado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, nas declarações e nos textos oficiais da União Europeia e das outras organizações internacionais.

Orla Tunney - Irlanda

Há cem anos que as mulheres irlandesas podem votar e candidatar-se a eleições - a primeira deputada foi eleita em 1918. A Irlanda já elegeu duas mulheres presidentes. A legislação sobre igualdade de remuneração foi introduzida em 1974. Hoje, mais mulheres do que homens têm licenciaturas - 55,1% das mulheres irlandesas entre os 25 e 34 anos têm formação superior. O progresso económico das mulheres na Irlanda foi alcançado com uma das maiores taxas de fertilidade da UE (1,92 por mulher). A recém-criada Comissão sobre o Estatuto da Mulher deverá apresentar neste ano um relatório sobre barreiras de género ainda existentes na sociedade irlandesa.

Inna Ohnivets - Ucrânia

"Apóstolo do amor misericordioso e da fé" e "verdadeira heroína" é assim descrita a mulher ucraniana nas palavras do Papa Francisco, proferidas no seu encontro com a comunidade ucraniana a 28 de janeiro deste ano na Catedral de Santa Sofia em Roma. Estas palavras refletem da melhor maneira o papel distinto que a mulher ucraniana tem desempenhado no seio da família ucraniana. Hoje, o papel da mulher nas questões do Estado tem crescido constantemente, não por mero acidente mas porque, historicamente, a mulher sempre desempenhou um papel de liderança, ganhando ainda mais importância desde a Revolução da Dignidade. Atualmente, as ucranianas têm transformado a Ucrânia num país próspero.

Brigida Scaffo - Uruguai

O Uruguai é um Estado laico, com uma forte matriz de direitos sociais, com níveis de desenvolvimento e igualdade altos para a América Latina. As mulheres têm melhores resultados académicos: maior quantidade de anos acumulados na educação, maiores taxas de assistência e permanência no sistema educativo e na percentagem de finalização no ensino secundário e universitário. Este facto está presente em todos os estratos socioeconómicos, sem importar a região do país, a estrutura familiar ou a instituição educativa. A lei promove a participação das mulheres na política, no entanto existem baixos níveis de participação feminina em cargos de alta decisão, particularmente na representação parlamentar e nos órgãos de condução dos partidos políticos.

Nandini Singla - Índia

Nas legislativas de 2019, a Índia terá sensivelmente mais 63 milhões de novas eleitoras. Com a mulher a desempenhar um papel cada vez mais importante, muito está a ser feito para melhor a integrar na história de sucesso da Índia: esquemas centrados na segurança e na educação da rapariga; apoio financeiro na educação e no casamento; microfinanciamento no empreendedorismo; seguros e pensões. A Índia acredita firmemente na capacitação da mulher, oferecendo-lhe uma vida digna com oportunidades, pondo fim à discriminação e à injustiça contra as mulheres, nomeadamente fornecendo assistência, aconselhamento jurídico e acompanhamento psicológico a vítimas de violência e abuso.

Carmenza Jaramillo - Colômbia

A mulher colombiana, igual a qualquer outra do mundo, não ocupa um lugar distante na sociedade que a acolhe. As citadinas vivem em situações diversas e adversas, já as camponesas debatem-se com o que a terra diariamente lhes brinda. Falar da mulher colombiana é falar de um ser com carácter, perseverança, resistência e valentia, características que lhe têm permitido obter um papel importante e de valor na construção de um país onde a sua contribuição tem sido fundamental para a sociedade pois tem assumido uma posição primordial na luta pelos seus direitos e da nação, no mundo. Essa mulher está e vai estar sempre presente em todas as transformações da história da Colômbia.

Ioana Bivolaru - Roménia

8 de março é ocasião para refletir sobre o progresso do movimento pelos direitos das mulheres mas também um apelo à ação de combate à discriminação e violência que ainda existem. Graças às combatentes aos preconceitos e à discriminação, hoje uma mulher é primeira-ministra da Roménia, a Câmara de Bucareste tem uma mulher presidente e o país tem 19 embaixadoras. Entre as 60 mulheres que mudaram o mundo, seis são romenas: Ana Aslan, inventora do tratamento Gerovital-H3; Elisa-Leonida Zamfirescu, primeira engenheira; Sofia Ionescu-Ogrezeanu, primeira neurocirurgião; Sarmiza Bilcescu, primeira doutorada em Direito; Smaranda Brãescu, primeira piloto europeia nos EUA; Nadia Comneci, primeira ginasta do Perfect 10.

Tarja Laitiainen - Finlândia

As mulheres finlandesas desempenham um papel muito forte na sociedade, a nível económico, político e social. Construímos a nossa nação, lado a lado com os homens. Na sociedade agrária do século XIX, as mulheres laboravam nos campos e nas vacarias, além de cuidarem da casa e da família. A industrialização fez que as mulheres preenchessem postos de trabalho na maioria das fábricas. Participaram igualmente de forma ativa nos movimentos dos trabalhadores e nos partidos políticos. Em 1907 foram eleitas as primeiras 19 deputadas do mundo, o que fez que representassem quase 20% dos deputados finlandeses. Atualmente ultrapassam os 40%. Chegámos longe, mas ainda existe espaço para melhorias.

Mmamokwena Gaoretelelwe - África do Sul

A equidade, a paridade e a igualdade são os fatores que mais contribuem para a esperança de uma sociedade civilizada. Desde a instauração da democracia, o papel das mulheres na política e no governo progrediu apenas porque o governo sul-africano procurou estabelecer padrões e medidas rigorosas para assegurar que as mulheres assumissem posições de liderança em todos os setores da sociedade. Por exemplo, a representação das mulheres subiu de 2,7% para 41% na Assembleia Nacional. O Ministério das Relações Internacionais e Cooperação também está a seguir este bom exemplo, dando uma grande prioridade à nomeação de mulheres embaixadoras para liderar a nossa política externa no estrangeiro.

Celia Anna M. Feria - Filipinas

A mulher filipina é pioneira no gozo da igualdade na sociedade. Estas são três das mulheres filipinas que quebraram os estereótipos masculinos no governo e transbordaram para outros campos: Leticia Ramos-Shahani, diplomata filipina que, em 1973, esboçou o projeto da CEDAW, considerada agora a Declaração de Direitos Internacionais das Mulheres. Corazón Aquino e Gloria Macapagal--Arroyo, duas mulheres presidentes que lideraram a nossa nação durante 16 anos. Focada na família, trabalhadora e forte, a mulher filipina é a mãe que alimenta o seu filho, que trabalha para criar um futuro melhor para a sua nação e para a humanidade.

Maritza Puertas de Rodríguez - Peru

Hoje, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, uno-me às vozes do mundo, comemorando este dia. No Peru, a mulher trabalhadora representa 45,8% da população economicamente ativa, e a sua presença aumenta a cada dia, prova disso é a composição do atual governo, que conta com sete mulheres ministras, incluindo a ministra dos Negócios Estrangeiros. Às mulheres portuguesas, o meu reconhecimento pelo seu trabalho diário, pela sua dedicação à família, assim como pelo seu valioso contributo económico, social e cultural ao país.

Ngozi Ukaeje - Nigéria

As mulheres nigerianas em Portugal juntam-se às outras mulheres em todo o mundo para celebrar o Dia Internacional da Mulher 2018, com o tema "A altura é agora: ativistas rurais e urbanos que transformam a vida das mulheres". Este dia especial tem vindo a ser comemorado através de trinta e seis estados do Território da Capital da Federação, Abuja, Nigéria. Ao longo dos anos, as mulheres nigerianas têm vindo a contribuir significativamente para o desenvolvimento político, social e económico da sociedade, mas ainda existem algumas barreiras estruturais que restringem as mulheres no poder e a tomada de decisão, bem como a participação política. As políticas do governo têm vindo a ser revistas com estratégias avançadas para enfrentar a situação.

Mercedes Martínez Valdés - Cuba

Neste 8 de março, as mulheres cubanas têm muito que celebrar: uma esperança de vida superior a 80 anos, uma taxa de mortalidade materna entre as mais baixas do mundo e o facto de constituir 53,22% da atual candidatura ao Parlamento cubano, o que fará de Cuba o segundo país a nível mundial com maior representação feminina no legislativo, entre outros sucessos. Ainda temos muito a fazer. O empoderamento das mulheres como agentes de mudança e a eliminação da discriminação de género em todas as suas expressões são metas alcançáveis se houver vontade política, como a do nosso governo.

Helena Pilsas Ahlin - Suécia

Os países nórdicos têm a menor disparidade de género no mundo. A Suécia tem um governo feminista que segue uma política externa feminista. Metade dos membros do governo e quase metade dos membros do Parlamento sueco são mulheres. A grande maioria das mulheres está no mercado de trabalho. Graças à licença parental assegurada e a creches acessíveis é possível combinar a vida familiar e a carreira. No entanto há desafios que permanecem. O movimento #metoo teve um impacto muito forte na Suécia, revelando claramente que existe ainda trabalho a ser feito.

Maria José Argaña Mateu - Paraguai

Nascida no coração da América do Sul, a mulher paraguaia é corajosa e heroica porque teve a tarefa de reconstruir o Paraguai após a Guerra da Tríplice Aliança (1865-1870), em que quase 90% dos homens perderam a vida. Assim, a mulher paraguaia assumiu tarefas que, na época, eram destinadas aos homens, tornando-as ousadas, determinadas e muito trabalhadoras. Neste contexto, o Papa Francisco enfatiza que "em toda a América, a mulher paraguaia é a mulher mais gloriosa [...] porque soube assumir um país derrotado [...] e levou adiante a pátria, a língua (guarani) e a fé".

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