O juiz que ordenou e divulgou escutas compara Dilma a Nixon

"Nem supremo mandatário da república tem privilégio absoluto", diz Sérgio Moro.

Sérgio Moro defende a legalidade das escutas entre Dilma Rousseff e Lula da Silva, mesmo depois de ele próprio ter ordenado a sua interrupção.

A conversa entre a presidente e o ex-presidente brasileiros em que alegadamente combinam uma estratégia para a posse e assim evitar a prisão de Lula aconteceu já depois de Sérgio Moro ter ordenado a interrupção das escutas. Um pormenor que o juiz não considera relevante.

"Como havia justa causa e autorização legal para a intercetação, não vislumbro maiores problemas no ocorrido", escreveu no despacho divulgado pela Folha de São Paulo.

O facto de um dos interlocutores ser a presidente do Brasil também não lhe parece importante. "A circunstância do diálogo ter por interlocutor autoridade com foro privilegiado não altera o quadro, pois o intercetado era o investigado e não a autoridade, sendo a comunicação intercetada fortuitamente", escreve.

Além disso, defende, "nem mesmo o supremo mandatário da República tem um privilégio absoluto no resguardo de suas comunicações. E, para comprovar a sua ideia, lembra o caso do antigo presidente norte-americano Richard Nixon.

Dilma Rousseff anunciou hoje, durante a tomada de posse de Lula da Silva entretanto suspensa, que não iria desistir para apurar quem ordenou e porquê as escutas e a sua divulgação. A presidente considerou que estas constituíam "um facto grave", "uma agressão à cidadania, à democracia e à constituição".

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