NATO estuda pedido dos americanos para entrar na luta contra o Estado Islâmico

Estados Unidos pediram que Aliança Atlântica participe com aviões de vigilância AWACS no combate ao Estado Islâmico.

Quase ano e meio depois de terem lançado a coligação internacional contra o Estado Islâmico (EI), os EUA pediram a ajuda da NATO pela primeira vez.

"Posso confirmar que recebemos um pedido dos EUA para dar apoio aos esforços da coligação e ajudá-los com aviões de vigilância AWACS da NATO", disse ontem o secretário-geral da Aliança Atlântica, o norueguês Jens Stoltenberg, na apresentação do relatório anual da organização em Bruxelas.

Os AWACS (sigla em inglês para sistema aéreo de alerta e controlo) são aviões adaptados para fazer vigilância com recurso à rede de satélites militares e permitem uma ligação e troca de informação com comandos em terra, mar e ar. Permitem controlar o espaço aéreo num raio de 400 quilómetros. 17 aviões AWACS estacionados numa base alemã e o sistema é referido como "os olhos da NATO no céu".

"Estamos a avaliar esse pedido, é uma decisão que será tomada pelos 28 aliados", acrescentou o responsável da NATO, referindo que os 28 Estados membros já "fazem parte da coligação que combate o Estado Islâmico" e que "o que está a ser discutido é como a NATO, enquanto Aliança, pode proporcionar ajuda à coligação". E precisou: "Temos essa capacidade" e a NATO já tem AWACS na Turquia.

Stoltenberg não deu uma data precisa para uma decisão, mas lembrou que os ministros da Defesa dos 28 países - incluindo o português Azeredo Lopes - têm a sua próxima reunião agendada para 11 e 12 de fevereiro em Bruxelas.

A coligação internacional que bombardeia o EI na Síria e no Iraque conta já com quase meia centena de países envolvidos, mas, até ao momento, a NATO tem-se mostrado reticente em intervir enquanto organização propriamente dita. A experiência da Líbia, que após a queda de Muammar al-Kadhafi, a 20 de outubro de 2011, se transformou num Estado falhado, faz que muitos dos seus dirigentes hesitem em envolver neste conflito a Aliança Atlântica.

No relatório que ontem apresentou, relativo a 2015, o secretário-geral da NATO constatou que os cortes nos orçamentos de Defesa dos 28 Estados membros reduziram durante o ano passado, havendo que assinalar que os países da Europa de Leste investem mais em gastos militares por causa do receio dos russos, enquanto na Europa do Sul países como a Itália estão ainda a cortar neste tipo de despesas no seu orçamento.

"Começámos a avançar na direção correta. Os cortes praticamente pararam entre os aliados da Europa e o Canadá", constatou ontem Jens Stoltenberg. No relatório que apresentou lê-se: "Cinco aliados (Estados Unidos, Reino Unido, Polónia, Grécia e Estónia) atingiram a recomendação de um gasto de 2% do PIB ou mais em Defesa. 16 aliados gastaram mais em defesa em termos reais em 2014 e 2015. 12 deles aumentaram os seus gastos em Defesa em termos de PIB. 23 aliados aumentaram o investimento em equipamentos novos. Isto precisou de muito esforço. Mas temos de fazer mais."

Devido à crise financeira internacional que rebentou em 2008, muitos países viram-se forçados a cortar no orçamento da Defesa. Mas após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, bem como as guerras na Ucrânia e na Síria, tornou-se evidente que esta não é uma área para descurar. De costas voltadas, relações conturbadas, sanções apontadas uns aos outros, membros da NATO e da Rússia estão condenados a entender-se para combater um inimigo comum: o Estado Islâmico.

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