Funeral de general Soleimani adiado. Confusão faz 56 mortos e 212 feridos

Televisão estatal iraniana avança que 56 pessoas morreram e 212 ficaram feridas nesta terça-feira durante uma debandada no funeral do general iraniano Soleimani, que foi adiado

56 pessoas morreram e 213 ficaram feridas esta terça-feira em Kerman em debandada no funeral do general iraniano Qassem Soleimani, assassinado na sexta-feira pelo Estados Unidos, avança a televisão estatal local, citada pelo The Guardian .

A tragédia acabou mesmo por levar ao adiamento do enterro, adianta a agência de notícias iraniana ISNA, citada pela Euronews .

Em Kerman, terra natal do general, centenas de milhares de pessoas, vestidas de preto, empunhando imagens de Soleimani e exigiram vingança contra os Estados Unidos por um ataque aéreo que aumentou drasticamente as tensões no Médio Oriente.

Na segunda-feira, a polícia iraniana disse que milhões de pessoas se concentraram em Teerão para prestar homenagem ao general e às restantes vítimas do ataque aéreo norte-americano em Bagdade.

De acordo com a agência de notícias Associated Press, com base em fotografias aéreas tiradas na segunda-feira, pelo menos um milhão de pessoas esteve concentrado na capital iraniana.

O enterro do comandante da força de elite iraniana Al-Quds vai realizar-se no sul do Irão, numa cerimónia que vai ser presidida pelo líder supremo iraniano, ayatollah Ali Khamenei.

Qassem Soleimani morreu na sexta-feira num ataque aéreo contra o carro em que seguia, junto ao aeroporto internacional de Bagdade, ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No mesmo ataque morreu também o número dois da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular (Hachd al-Chaabi), além de outras oito pessoas.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e só terminou quando Donald Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O Irão prometeu vingança e anunciou no domingo que deixará de respeitar os limites impostos pelo tratado nuclear assinado em 2015 com os cinco países com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas - Rússia, França, Reino Unido, China e EUA - mais a Alemanha, e que visava restringir a capacidade iraniana de desenvolvimento de armas nucleares. Os Estados Unidos abandonaram o acordo em maio de 2018.

No Iraque, o parlamento aprovou uma resolução em que pede ao Governo para rasgar o acordo com os EUA, estabelecido em 2016, no qual Washington se compromete a ajudar na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico e que justifica a presença de cerca de 5.200 militares norte-americanos no território iraquiano.

Irão designa forças americanas como "terroristas"

O parlamento do Irão aprovou esta terça-feira um projeto de lei para designar todas as forças e funcionários dos Estados Unidos no Pentágono e organizações afiliadas, agentes, comandantes e os que participaram no assassinato de Qassem Soleimani como "terroristas".

"Qualquer ajuda a essas forças, incluindo militares, de inteligência, financeiras, técnicas, de serviços ou logísticas, será considerada cooperação em ato terrorista", foi dito no parlamento.

Também foi votado o financiamento de 200 milhões de euros à força de elite iraniana Al-Quds, que era comandada por Soleimani.

EUA alerta petroleiros sobre ameaças

O Governo norte-americano está a alertar os navios que utilizam as rotas marítimas no Médio Oriente, cruciais para o fornecimento global de petróleo, de que existe a "possibilidade de ação iraniana contra os interesses marítimos dos EUA" na região.

A Administração Marítima dos Estados Unidos emitiu hoje o alerta, citando as ameaças crescentes depois da morte do general iraniano Qassem Soleimani num ataque norte-americano a Bagdad, no Iraque, na sexta-feira.

Os petroleiros já foram alvo de ataques nesta região no ano passado e os norte-americanos atribuíram estes ataques ao Irão.

Teerão negou a responsabilidade nestes ataques, apesar de ter arrestado navios-tanque à volta do estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, via pela qual 20% do petróleo mundial é transportado.

Atualizada às 19:01

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