Mulheres de três continentes na equipa de Guterres para reformar a ONU

"Estas nomeações são a base daquela que é a minha equipa, a qual continuarei a construir, respeitando as questões da paridade e da diversidade demográfica", disse ontem António Guterres, em comunicado

Ao argumento de que deveria ser uma mulher a liderar a ONU, muito falado durante a corrida para a liderança da organização, António Guterres respondera assim: "Não há nada que possa fazer em relação a isso, não sou mulher, sou um homem. O que eu posso fazer, como secretário-geral, é assumir um forte compromisso (...) ter um programa claro para atingir paridade na estrutura da ONU". Agora, já depois de ter prestado juramento como novo secretário-geral , o ex-primeiro-ministro português (que assume o cargo a 1 de janeiro) mostra que pretende ser coerente e nomeou três mulheres de três continentes diferentes para o núcleo duro da sua equipa. No discurso que fez na segunda-feira em Nova Iorque na sede da ONU Guterres assumiu a reforma da organização como um das suas prioridades. A ajudá-lo terá então a nigeriana Amina Mohammed, a brasileira Maria Luiz Ribeiro Viotti e a sul-coreana Kyung-wha Kang.

"Estas nomeações são a base daquela que é a minha equipa, a qual continuarei a construir, respeitando as questões da paridade e da diversidade demográfica. Estou feliz por contar com os esforços destas três mulheres altamente competentes e a quem escolhi devido ao seu currículo em áreas como as do desenvolvimento, da diplomacia, direitos humanos ou ajuda humanitária", disse ontem Guterres, num comunicado que foi citado pela agência Reuters. Recorde-se que o ex-Alto Comissário da ONU para os Refugiados disputou o secretariado-geral da organização com outros 12 candidatos, que venceu, sendo sete deles mulheres. Uma foi particularmente polémica, a búlgara Kristalina Georgieva, ex-comissária europeia que se apresentou na reta final da corrida. A jogada, apoiada pela Alemanha, foi mal vista por grande parte dos blocos representados na ONU, tendo a búlgara saído esmagada pelo ex-chefe do governo português.

No quadro das novas nomeações feitas agora por Guterres, Amina Mohammed será a vice-secretária-geral da ONU. Atual ministra do Ambiente da Nigéria, foi conselheira especial da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, trabalhando com Ban Ki-moon, o secretário-geral cessante. De 55 anos, Amina Mohammed sucede no cargo ao sueco Jan Eliasson. Ex-assessora do governo nigeriano para o cumprimento dos chamados Objetivos do Milénio, teve um papel igualmente importante na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Além de Amina Mohammed, o novo secretário-geral da ONU nomeou também a brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti para ser a sua chefe de gabinete. De 62 anos, a diplomata foi embaixadora do Brasil na ONU entre 2007 e 2013, por nomeação de Lula da Silva. E posteriormente na Alemanha. Da Ásia, a sul-coreana Kyung-wha Kang foi nomeada assessora especial para a área política por Guterres. De 61 anos de idade, a diplomata já trabalhou com outros dois secretários-gerais da ONU: Kofi Annan e Ban Ki-moon. Pelo primeiro foi nomeada Vice-Alta Comissária para os Direitos Humanos. Pelo segundo Secretária Geral Adjunta da ONU para os Assuntos Humanitários e vice-coordenadora da ajuda de emergência da ONU.

Quando prestou juramento na segunda-feira, Guterres lembrou: "O objetivo inicial para ter uma representação igual de mulheres e homens na ONU era o ano 2000. Passados dezasseis anos ainda estamos longe desse objetivo". Segundo os últimos dados disponíveis, ontem citados pela Reuters, a 30 de junho deste ano apenas 34,8% dos 40131 membros do staff do secretariado era mulheres. 17 dos 79 subsecretários da organização são mulheres, ou seja, 21,5%, sublinha aquela agência. Além da paridade na organização, o ex-Alto Comissário da ONU para os Refugiados prometeu ainda trabalhar para garantir a proteção e o empoderamento das mulheres e meninas em diferentes zonas do mundo onde há conflitos.

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