Britânica condenada por estar alcoolizada em avião forçado a aterrar em Faro

Aeronave teve de aterrar de emergência em Faro devido aos distúrbios causados por uma britânica de 30 anos. Juíza disse que comportamento causou inquietação a 200 passageiros e prejuízos à companhia aérea.

Foi em setembro do ano passado que o avião da Thomas Cook, que fazia um voo entre Manchester e Fuerteventura, aterrou de emergência no aeroporto de Faro. O comandante tinha decidido colocar fora do avião uma mulher, mãe de duas crianças, que seguia alcoolizada e provocava distúrbios. Já tinha bebido meia garrafa de vodka, adquirida no aeroporto e que não podia ser consumida a bordo. Um ano depois foi julgada em Inglaterra e a condenação pretende ser exemplar, segundo o tribunal: foi condenada a 15 meses de prisão efetiva.

Natasha Allen, 30 anos, estava no avião com dois amigos em 12 de setembro de 2018. Quando elementos da tripulação a abordaram devido ao seu comportamento. Visivelmente alcoolizada, a mulher reagiu mal quando lhe tentaram retirar a garrafa de vodka que já estava meia vazia. Puxou as leggings e as cuecas para baixo, num comportamento que levou o comandante do avião a aterrar em Faro para a colocar fora do avião, em que seguiam 200 passageiros.

Pouco mais de um ano depois, o caso chegou a julgamento em Manchester. O tribunal ouviu como os tripulantes retiraram, com esforço, a garrafa à passageira. Depois, o comandante pediu o passaporte de Allen para que o incidente pudesse ser incluído no relatório de voo. Um elemento procurou o passaporte enquanto a mulher estava na casa de banho. Ao regressar ao seu lugar, Natasha Allen gritou com a funcionária da Thomas Cook, companhia que entretanto ficou insolvente. Insultou-a, despiu vestuário, mesmo com crianças a bordo, e quando se acalmou o comandante já tinha decidido aterrar em Faro.

Allen, residente em Middleton, foi levada do avião pelas autoridades portuguesas e, apesar de nenhuma ação ser tomada no nosso país, a mulher foi convocada para tribunal ao regressar ao Reino Unido. Inicialmente negou qualquer ato impróprio, mas depois declarou-se culpada de estar alcoolizada a bordo de uma aeronave. A britânica, que assumiu fumar habitualmente haxixe, tem várias outras condenações relacionadas com o consumo de álcool, incluindo ofensas de ordem pública, ataque a um polícia e agressão. Amos Waldman, o seu advogado, disse: "Ela aceita os fatos das ofensas e diz que sente vergonha. Reduziu o consumo de álcool. Depois de esse incidente já voou sem nenhum problema."

A juíza Hilary Manley teve opinião diferente. Considerou que Natasha Allen "chegou ao fim da linha' e tomou uma decisão exemplar. "O seu comportamento de alcoólica, indecente, causou inquietação e perturbação aos passageiros além de ter originado custos à companhia aérea. Para os passageiros, estar a 40.000 pés de altitude com uma pessoa alcoolizada é assustador". A sentença foi de 15 meses de prisão e foi entendida como uma forma de deixar claro que este tipo de comportamentos são graves e não podem acontecer.

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