Motorista da Uber confessa ter matado diplomata britânica

Fonte das autoridades afirma que o suspeito tinha registo criminal

Um motorista da Uber confessou ter assassinado a diplomata britânica Rebecca Dykes. A jovem tinha sido encontrada no sábado na berma de uma via rápida em Beirute, no Líbano, com um cordel à volta do pescoço. A confissão e notícias sobre o cadastro do assassino relançaram a discussão sobre a segurança da Uber.

A polícia acredita que Dykes terá sido estrangulada e violada. O homem, identificado como Tariq H., admitiu ter morto a jovem num "ato criminoso" e que não teve motivos políticos. Terá apanhado Dykes no distrito de Gemmayzeh, em Beirute, na sexta-feira à noite. Foi identificado através de câmaras de segurança na autoestrada.

A discussão centra-se agora na existência ou não de cadastro. Fonte das autoridades afirmou que o suspeito, de 41 anos, tinha sido preso anteriormente por acusações relacionadas com substâncias ilícitas, no período entre 2015 e 2017, mas referiu que poderia não constar no cadastro. Outra fonte disse à Reuters que o suspeito tinha registo criminal.

Harry Porter, porta-voz da Uber, afirma que no Líbano a empresa contrata apenas condutores com licenças comerciais, que requerem verificação de histórico pelo governo. Quando a Uber analisou o caso de Tariq H., não encontrou nada suspeito. "Estamos horrorizados por este ato de violência", disse Porter.

Esta não é a primeira vez, no entanto, que a Uber tem problemas com cadastros. Em setembro, a empresa ficou sem licença em Londres, devido a dúvidas sobre as capacidades de verificação de antecedentes dos condutores.

Na Índia, a empresa foi processada duas vezes por uma mulher que foi violada em 2014 por um motorista da Uber, primeiro por falhas de segurança básicas e novamente por alegar que a empresa tinha tido acesso aos seus registos médicos. O motorista foi condenado a prisão perpétua por violação, em 2015; a Uber chegou a acordo quanto ao primeiro processo e concordou fazer outro acordo para o segundo.

No Brasil, a política da empresa de aceitar pagamentos em dinheiro fez dos motoristas alvos. Depois de uma investigação da Reuters, a Uber optou por novas medidas de segurança, em fevereiro, incluindo uma regra que exige que os clientes se inscrevam com um número de segurança social.

Em Houston, no Texas, uma investigação de 2016 descobriu que a informação recolhida sobre os motoristas era tão insuficiente, que a empresa tinha alguns ao serviço que tinham o cadastro por homicídio, assalto e outros 17 crimes.

Para além disso, há alegações de assédio sexual, violação de privacidade de dados e uma ação judicial e investigação criminal relativamente a alegado roubo de segredos comerciais. O novo chefe executivo, Dara Khosrowshahi, que substituiu o cofundador, Travis Kalanick, em agosto, tem sido criticado por práticas anteriores e prometeu uma nova era.

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