Morreu Elijah Cummings, um dos democratas que investigava Trump

O congressista do Maryland, uma das figuras mais conhecidas do Partido Democrata, tinha 68 anos.

A sua voz forte e um discurso cadenciado a fazer lembrar os dos pastores nas igrejas tornaram-se na imagem de marca de Elijah Cummings. O congressista do Maryland, que nos últimos meses de tornou numa das figuras mais destacadas da investigação democrata ao presidente Donald Trump com vista a um processo de impeachment, morreu esta quinta-feira em Baltimore. Tinha 68 anos.

Segundo o seu porta-voz, citado pelo The New York Times, Cummings morreu devido a "complicações ligadas a problemas de saúde", sem dar mais pormenores.

Enquanto presidente da Comissão de Supervisão e Reforma da Câmara dos Representantes, Cummings era um dos congressistas com mais poder para investigar Donald Trump e a sua Administração. Um poder que este filho de trabalhadores rurais de Baltimore não hesitava em usar.

Aliado fiel de Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes, Cummings passou os últimos meses no Congresso em choque com o presidente, considerando os esforços de Trump para travar as investigações "muito piores do que o Watergate", o escândalo de espionagem que levou Richard Nixon a pedir a demissão em 1974 para evitar ser destituído.

O próprio Trump processou Cunmmings quando este exigiu que ele divulgasse os registos dos seus negócios.

Luta contra as armas e as drogas

Representante durante mais de duas décadas de um distrito de Baltimore onde abundam os problemas sociais, Cummings era um feroz defensor de uma lei das armas mais restritiva e fomentou políticas para travar o consumo de drogas.

Formado em Direito, foi em 2015 que o congressista afro-americano ganhou mais visibilidade, quando saiu às ruas de Baltimore de megafone em punho para à calma na sequência de protestos violentos que se seguiram ao funeral de Freddie Gray, um jovem negro que morreu quando estava sob custódia policial.

Já este ano, em julho, Cummings destacou-se nas críticas a Trump devido à falta de condições nos centros de detenção de migrantes junto à fronteira com o México. O presidente respondeu descrevendo o distrito que Cummings representava como "uma desgraça nojenta e infestada de ratazanas", levando o congressista a defender os seus constituintes de forma veemente.

Nas últimas aparições públicas, Cummings surgira debilitado, deslocando-se em cadeira de rodas e tendo de usar uma botija de oxigénio para respirar. Uma cirurgia ao coração mantivera-o afastado do Congresso durante três meses em 2017. E pouco depois, fora internado devido a uma infeção no joelho.

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