Ministro da educação do Brasil demite-se antes de tomar posse

Carlos Decotelli, nomeado domingo, é acusado de ter falsificado o seu currículo académico em, pelo menos, três pontos. Bolsonaro considerou a sua posição insustentável. E continua à procura de alguém para a pasta

Carlos Decotelli da Silva, cuja tomada de posse chegou a ser marcada para segunda-feira, pediu demissão nesta terça-feira, sem sequer ter assumido o cargo. Em causa, falsidades no currículo académico do agora ex-futuro ministro.

Três pontos são particularmente controversos: denúncia de plágio na dissertação de mestrado da Fundação Getúlio Vargas, declaração de um título de doutorado na Argentina que não teria obtido e pós-doutorado na Alemanha, não realizado.

Bolsonaro, que no dia do anúncio destacara, sobretudo, o currículo académico do candidato para sustentar a escolha, fez saber que dessa forma não havia condições para a tomada de posse. Na noite de segunda-feira, Decotelli ainda disse que os pontos estavam esclarecidos e que já estava até a trabalhar.

Mas novas inconsistências conhecidas nesta terça-feira - a Faculdade Getúlio Vargas esclareceu que, ao contrário do indicado, ele jamais lecionou no estabelecimento - precipitaram a sua queda antes mesmo de assumir.

Decotelli seria o substituto de Abraham Weintraub, demitido na semana passada, depois de um ano e meio de controvérsias - falhas no exame nacional do ensimo médio, insultos aos membros do Supremo Tribunal Federal, acusações de racismo, erros de ortografia em documentos oficiais e em publicações nas redes sociais, entre outras.

Antes de Weintraub, caiu Ricardo Velez, que chamara o comportamento dos brasileiros no estrangeiro de "próprio de canibais", determinara que se ouvisse o hino nas escolas seguido de slogan de campanha de Bolsonaro, entre outras gafes.

Para o lugar de Decotelli há nomes sugeridos tanto pela ala militar do governo - com perfil mais moderado - como pela chamada ala ideológica, representada por Olavo de Carvalho, considerado o guru da extrema direita brasileira, e pelos filhos do presidente - com perfil mais radical.

Por enquanto, o interino Antonio Vogel, secretário executivo do ministério, fica no cargo.

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