Maria Mestre, a "madame" da casa real do Luxemburgo, perde poder

A Grã-duquesa é acusada de ser tirana com os empregados do palácio: quase metade foram demitidos ou demitiram-se. Vai passar a ter uma função apenas representativa, ela que é tida como a verdadeira decisora da casa real.

A Grã-duquesa do Luxemburgo, Maria Teresa Mestre, considerada a pessoa que realmente toma as decisões na corte, viu o seu poder ser diminuído após as queixas de antigos empregados do palácio. São muitos os funcionários que alegam terem sido maltratados pela Grã-duquesa, também conhecida por "madame".

Um relatório enviado pelo governador a Jeannot Waringo, ex-diretor da Inspeção Geral das Finanças do Luxemburgo, citou o "medo" e a "ansiedade" descritas pelos empregados do palácio e deixou Maria Teresa Mestre, de 63 anos, confinada a um papel apenas representativo.

O relatório Waringo, elaborado a partir de seis meses de entrevistas do inspetor com o Grão-duque e a Grã-duquesa, não reconhece nenhum caso de violência física, mas há um número que salta à vista: 51 funcionários (em 110) foram despedidos ou demitiram-se nos últimos cinco anos.

O documento de 44 páginas não é direto, mas insinua que Maria Mestre é a culpada pelas demissões e a recomendação da administração de recursos humanos é para que se dedique a funções apenas representativas.

De acordo com o El País, o primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, anunciou uma reforma no funcionamento da monarquia e a Grã-duquesa é quem sai mais prejudicada com estas mudanças.

"A relação de Maria Teresa com os luxemburgueses é complicada. Não existe uma história de amor. Há anos que a madame, como lhe chamam, é descrita como tendo um temperamento bastante difícil", diz um jornalista do semanário The Lëtzebuerger Land.

Esta é a maior crise nos 20 anos de reinado de Enrique e Maria Teresa de Luxemburgo. Ao saber dos "ataques" à mulher, o Grão-duque respondeu furiosamente, diz o diário espanhol, questionando qual era o objetivo de "atacar uma mulher".

A imagem de tirana que projeta contrasta, no entanto, com o seu envolvimento em várias causas sociais, como a Cruz Vermelha, associações de defesa dos direitos das crianças e mulheres, entre outras.

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