Mais de metade dos millennials teme um ataque nuclear nos próximos dez anos

Comité Internacional da Cruz Vermelha realizou inquérito com 16 mil jovens adultos, com idades entre os 20 e os 35 anos, e a maioria acredita que na próxima década pode haver um conflito nuclear ou até a III Guerra Mundial.

A maioria dos millennials acredita que é muito provável ocorrer um ataque nuclear nos próximos 10 anos, revela um inquérito da Cruz Vermelha Internacional, num sinal de que a visão dos adultos mais jovens sobre o futuro global é muito sombria.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha, uma organização humanitária mundial, realizou um inquérito a 16 mil millennials - adultos entre os 20 e os 35 anos - em 16 países e territórios, no ano passado: Afeganistão, Colômbia, França, Indonésia, Israel, Malásia, México, Nigéria, Territórios da Palestina, Rússia, África do Sul, Síria, Suíça, Reino Unido, Ucrânia e Estados Unidos.

Metade dessas nações enfrenta conflitos neste momento, enquanto a outra parte vive em paz. Com base nos resultados divulgados na semana passada, conclui-se que este grupo demográfico está preocupado com o que o futuro reserva.

"Mais da metade dos millennials - 54% - acredita que é provável que ocorra um ataque nuclear na próxima década", diz o relatório.

Os questionados na Malásia apresentam a maior probabilidade de temer que um dispositivo nuclear seja acionado em breve, enquanto os sírios são os menos propensos a preocuparem-se com tal desfecho. No entanto, os entrevistados disseram que as armas nucleares eram as menos preocupantes entre as 12 questões diferentes que foram solicitadas a classificar, com a corrupção no topo da lista, seguida pelo desemprego e pelo aumento da pobreza.

Mas o medo de um ataque nuclear parece formar uma tendência. Um inquérito do Fórum Económico Mundial, de janeiro de 2018, com 1000 líderes de governo, empresas e outras indústrias, por exemplo, identificou a guerra nuclear como uma das principais ameaças.

O temor é compreensível. A possibilidade de um conflito nuclear entre os EUA e a Coreia do Norte ainda existe; a Índia e o Paquistão, dois inimigos com armas nucleares, podem reavivar a disputa de décadas a qualquer momento; e os EUA e a Rússia - as principais potências nucleares do mundo - têm ogivas apontadas desde os primeiros dias da Guerra Fria.

A catástrofe nuclear não é a única coisa que incomoda os millennials atualmente. Cerca de 47% dos entrevistados disseram acreditar que ainda vão ver a Terceira Guerra Mundial durante a vida, enquanto 46% disseram que não. É uma divisão relativamente equilibrada, mas o facto de pouco menos da metade dos adultos questionados acreditar que irá testemunhar o pior conflito do mundo já por si é uma conclusão muito negativa.

As respostas levaram o presidente da organização, Peter Maurer, a lamentar a forma como a geração millennial vê o mundo. "Fatalista, esperançoso, preocupado e incerto", escreveu sobre os resultados no prefácio do relatório. "Não é provável que as coisas fiquem mais fáceis para a geração do milénio: vive num mundo em que as guerras estão a tornar-se cada vez mais complexas".

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