Lula e Marina na liderança a dois anos das presidenciais

Ex-presidente vence cenários de primeira volta mas sofre com forte rejeição. Ambientalista destaca-se nas simulações das segundas voltas. Mais de metade desaprovam Michel Temer

Se as eleições presidenciais fossem hoje, Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), venceria a primeira volta em qualquer cenário mas perderia numa eventual segunda volta com Marina Silva, do Rede Sustentabilidade, que tem menor taxa de rejeição do eleitorado brasileiro.

Em todas as circunstâncias, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), fosse ele Aécio Neves, Geraldo Alckmin ou José Serra, chegaria em terceiro lugar, ou seja, sem direito a disputar a segunda volta. Nas sondagens divulgadas nos últimos dois dias pelo Instituto Datafolha, Michel Temer, do Partido do Movimento da Democracia Brasileira (PMDB), não passaria, na melhor das hipóteses, dos quatro pontos. Entretanto, mais de metade dos brasileiros (51%) acham que a atuação do presidente da República é "má ou péssima", uma queda de 20 pontos percentuais desde a última pesquisa.

O Instituto Datafolha escolheu quatro cenários de primeiras voltas. No primeiro, com o ex-candidato presidencial Aécio Neves a concorrer, Lula da Silva somaria 25 pontos, contra 15 de Marina e 11 do presidente do PSDB. Entre os outros nomeados, o ultradireitista Jair Bolsonaro, do Partido Social Cristão (PSC), chegaria a nove, Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista, alternativa a Lula da Silva no campo da esquerda, a cinco, e Michel Temer a quatro. Na segunda simulação, Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo, obteria um resultado inferior ao de Aécio, seu concorrente no PSDB: 8% dos votos, tantos quantos Bolsonaro. Beneficiando assim Lula (que chegaria aos 26%) e Marina (17%). Ciro Gomes subiria um ponto (6%) e Temer manteria o resultado (4%). O terceiro cenário prevê como candidato pelo PSDB o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Serra, com nove pontos, menos sete do que Marina Silva e muito longe dos 25 de Lula da Silva. Bolsonaro (9%), Ciro (6%) e Temer (4%) fechariam as contas.

Na última simulação os pesquisadores colocaram à consideração das 2828 pessoas maiores de 16 anos ouvidas todos os nomes falados anteriormente, incluindo o do juiz da Lava-Jato Sérgio Moro e o da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia, que já garantiram não concorrer, e o do empresário Roberto Justus, substituto de João Doria, recém-eleito prefeito de São Paulo, na apresentação da versão brasileira do reality show do agora presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, The Apprentice. Venceria Lula da Silva, novamente, com 24 pontos; Marina Silva e Sérgio Moro empatariam em segundo lugar, com 11 pontos; Aécio lideraria, com sete, um pelotão com Bolsonaro (seis), Alckmin (cinco), Serra (quatro) e Ciro (quatro). Temer, Justus, Lúcia e outros nomes não passariam de um a dois pontos.

Marina bateria Lula

Apesar da vitória em todos os quatro cenários propostos na primeira volta das presidenciais, Lula da Silva perderia para Marina Silva em caso de segunda volta, porque, enquanto o antigo presidente tem 44% de rejeição, a ambientalista soma apenas 15% de respostas "em que não votaria em nenhuma circunstância". Ou seja, Lula e Marina venceriam todos os três potenciais concorrentes do PSDB mas ela, por 43 a 34, bateria o ex-sindicalista. Ainda assim, de março para dezembro, Lula subiu quase dez pontos percentuais em média, enquanto a sua ex-ministra do Ambiente caiu na ordem dos seis pontos.

Na véspera da publicação destas simulações, o mesmo Instituto Datafolha avaliou a prestação de Michel Temer, após sete meses de governo, três e meio dos quais como presidente definitivo - após o afastamento definitivo de Dilma Rousseff. Mais de metade dos inquiridos - 51% - consideraram a sua gestão "má ou péssima", contra 31% da última avaliação, de julho. Apenas 10% consideraram o trabalho do chefe do Estado "bom ou ótimo" e 34% optaram por responder "regular".

Houve ainda 40% dos inquiridos a achar Michel Temer pior presidente do que a antecessora Dilma Rousseff (PT), 21% consideram que a sua prestação foi melhor e 34% responderam igual. Mais: 63% são favoráveis à sua renúncia ao cargo e 27% afirmam-se contrários a que deixe a presidência. A sondagem foi realizada antes da divulgação da primeira delação premiada de executivos da construtora Odebrecht, na qual Temer foi citado como um dos beneficiários.

Renan denunciado

Em paralelo, o presidente do Senado Renan Calheiros foi ontem denunciado, pela primeira vez, no âmbito da Operação Lava-Jato. O político do PMDB é alvo ainda de mais sete inquéritos a propósito do escândalo do petrolão. Na semana passada, o seu afastamento da presidência da casa esteve em cima da mesa de um juiz do STF por causa de um caso de 2007 em que é réu por desvio de dinheiro, facto que o impediria de exercer cargo na linha de sucessão de Temer. O plenário do STF, porém, recuou e manteve-o na presidência do Senado, retirando-o por sua vez da linha sucessória do presidente.

* em São Paulo

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