Lealdade a Temer? Maia diz que a mãe a isso o obriga

Rodrigo Maia, primeiro na linha de sucessão, nega que esteja a conspirar contra o presidente. E, em entrevista à GloboNews, diz que só se vê no Planalto daqui a duas ou três eleições

Com a base aliada do governo de Michel Temer (PMDB) a diminuir de dia para dia, o nome de Rodrigo Maia (DEM) para resolver a crise política vem ganhando força nos bastidores do Congresso Nacional em Brasília, nos corredores dos mercados financeiros em São Paulo e nas redações dos jornais das principais cidades do país. O presidente da Câmara dos Deputados, o primeiro de acordo com a Constituição na linha sucessória, caso Temer venha a ser afastado por conta da investigação por corrupção passiva de que é alvo, nega, no entanto, que ande a conspirar. É a mãe que não deixa.

Confrontado em entrevista à GloboNews com a pergunta se faria com Temer o que Temer fez com Dilma Rousseff, a ex-presidente do Brasil substituída pelo seu "vice", Maia explicou que todos os dias a mãe, Mariangeles Ibarra Maia, lhe exige por sms que seja leal ao atual chefe do Estado e não conspire. Diz o político de 47 anos que chegou a mostrar uma dessas mensagens ao presidente para o sossegar.

"No entanto, uma coisa é o deputado eleito pelo DEM, que apoia o governo e será sempre leal, mas outra coisa é o presidente da Câmara dos Deputados, que é líder de uma instituição e tem de ser o árbitro do jogo, então tenho de respeitar neste processo uma distância para o governo e basear-me na Constituição e nos regulamentos da casa."

Os 513 deputados vão votar no dia 2 de agosto se aceitam a denúncia do Ministério Público por corrupção contra Michel Temer. Caso o façam, o presidente é afastado por seis meses e substituído por Maia, que teria então um mês para marcar eleições indiretas - escolha dos parlamentares - para a presidência. É nesse cenário que uma vitória de Maia, com bom trânsito no Congresso e nos círculos da alta finança, se desenha.

Maia, que chegou ao cargo após a perda de mandato e prisão de Eduardo Cunha, do PMDB, não nega que, como político, sonha com a presidência. "O político quando entra na política sempre sonha com o máximo, isso seria besteira eu não admitir, mas neste momento não, neste momento tenho é prazer em acordar todos os dias às 07.00 e ter pequenos-almoços, almoços e jantares para discutir reformas para o país como presidente da Câmara."

"A longo prazo", reconheceu noutro trecho da conversa, "é óbvio que chegar onde cheguei já me coloca daqui a duas ou três eleições como uma alternativa mas, a curto prazo, as minhas atuais funções dão-me a possibilidade de realizações que nunca imaginei". Para Maia, entretanto, o país que emerge da Operação Lava-Jato e das consecutivas crises políticas precisa de uma reforma política substancial. "O sistema eleitoral brasileiro faliu, precisa de ser renovado porque já não representa uma parte importante da sociedade." O deputado é um dos investigados na operação coordenada pelo juiz Sérgio Moro, depois de ter aparecido na planilha da construtora Odebrecht sob o nome de código "Botafogo", numa referência ao clube de futebol de que é adepto.

Nascido em Santiago do Chile, onde o pai Cesar Maia, que viria a ser prefeito do Rio de Janeiro por três mandatos, estava exilado durante a ditadura militar, Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia estudou economia, sem no entanto concluir o curso, e trabalhou na banca, antes de ingressar na atividade política. Em 1999, então com 28 anos, elegeu-se deputado federal, cargo que foi mantendo até hoje, sempre pelo DEM, um dos partidos mais à direita do Congresso Nacional. É casado com Patrícia Vasconcelos Maia, que é filha da mulher de um dos braços-direitos de Temer, o ministro chefe da secretaria-geral da presidência, Moreira Franco.

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