Justiça espanhola condena ex-líderes do PSOE na Andaluzia por corrupção

Ex-presidente socialista do Governo regional foi condenado a seis anos de prisão e não pode desempenhar cargos públicos por 15 anos. O sucessor no mesmo cargo também foi condenado a nove anos de inabilitação.

A Justiça espanhola condenou esta terça-feira vários ex-dirigentes socialistas da Andaluzia, entre eles dois ex-presidentes do Governo regional, a penas de prisão e de inabilitação de desempenho de cargos públicos, num caso de desvio de centenas de milhões de euros de dinheiros públicos.

Depois de vários anos de investigação, o Tribunal de Sevilha condenou o ex-presidente do PSOE andaluz José Antonio Grinán a seis anos de prisão por um crime de peculato e 15 anos de inabilitação por outro de prevaricação, tendo o seu antecessor no cargo, Manuel Chaves, sido condenado a nove anos de inabilitação por um delito de prevaricação.

Neste caso, conhecido como ERE (Expediente de Regulação do Emprego), 21 antigos líderes regionais socialistas do bastião histórico da Andaluzia foram condenados por desviar centenas de milhões de euros de fundos públicos que eram destinados ao apoio de trabalhadores despedidos e de empresas em dificuldade.

Manuel Chaves é um conhecido barão regional do PSOE, várias vezes ministro do governo central e presidente do Governo regional da Andaluzia de 1990 a 2009.

O seu sucessor, de 2009 a 2013, na liderança do Governo regional da Andaluzia, foi José Antonio Grinán.

O Ministério Público - segundo o qual os fundos eram por vezes distribuídos de forma pouco clara a pessoas que nem sequer tinham sido afetadas por um plano social ou porque eram próximos do PSOE - estima o montante da fraude em 741 milhões de euros.

Durante o julgamento, que teve início em dezembro de 2017 em Sevilha, capital da Andaluzia, Chaves e Grinan negaram qualquer responsabilidade pelo desvio dos fundos públicos.

Este caso começou em 2010, quando a Espanha foi afetada pela crise financeira, tendo José Antonio Grinan apresentado a demissão na sequência das primeiras revelações.

Esta sentença tem implicações políticas, com o Partido Popular (PP, direita) a ter munições para contra-atacar o PSOE por "clientelismo" praticado pelos socialistas para manter o seu poder na Andaluzia durante décadas.

O próprio atual primeiro-ministro socialista, Pedro Sanchez, chegou ao poder em junho de 2018 depois de ter denunciado o envolvimento do PP num grande caso de corrupção.

No caso conhecido como Gurtel, o PP foi condenado por receber fundos obtidos ilegalmente através de um sistema de corrupção em que funcionários eleitos pelo partido adjudicaram contratos a "empresas amigas" a troco de comissões.

O presente caso ERE já teve consequências políticas na Andaluzia, com o PSOE, no poder do executivo regional durante 36 anos, a ser derrubado em janeiro de 2019 por uma coligação do PP com o Cidadãos (direita liberal) com o apoio no parlamento regional do Vox (extrema direita).

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