José Frias, o catalão de 72 anos que enfrenta os manifestantes na rua

No meio dos protestos violentos há histórias de gente: O reformado que sai à rua para enfrentar os causadores de distúrbios, os moradores que oferecem flores aos polícias, os comerciantes que temem enormes prejuízos.

Depois de uma sexta-feira que deixou um saldo de 182 feridos e 83 detidos. Esta tarde, há uma nova manifestação em protesto no mesmo local em que na sexta-feira ocorreram os episódios mais violentos da semana após o dia de greve promovido pelas forças para a independência. A Praça Urquinaona tornou-se o "epicentro do caos mais absoluto, com barricadas erguidas pelos radicais. Entre o caos e a política há populares que vão chamando a atenção pelas atitudes nestes dias de confusão e emoção.

Os protestos em frente à sede da polícia, na Via Laietana, juntavam um grupo de jovens que lança provocações ao contingente de polícias destacado. "Sem farda não valeis nada", atiravam aos agentes. Ao lado um morador de 72 anos não se intimidava. Procura limpar os destroços na rua e afastar os distúrbios. José Frias, reformado, tem na mão uma espécie de bastão que faz questão de mostrar aos jovens que se aproximam dele, quase como um defensor dos polícias contra as investidas dos protestantes. Conta o jornal El Mundo, que José tem o rosto de poucos amigos. Está indignado com o que vê e faz questão de o dizer. Na rua.

Apesar da idade, José nunca tinha visto a Catalunha como a viu na tarde de sexta-feira. "Só desejo que outra era volte, como em 1711, quando Felipe IV acabou derrubando a independência da Catalunha", diz o idoso a quem um dos jovens manifestantes apelidou de "um Franco ressuscitado". Mas o catalão é eleitor do PSOE e filho de um ex-combatente republicano. Diz que não tem medo e sai todos os dias à rua para tentar impedir o vandalismo e a destruição. Para José a solução, contou ao El Espanol, seria mobilizar o Exército: "Para mim, é a única solução, já vejo isto muito difícil".

Desde sexta-feira que surgiu na comunicação social e como tal ficou conhecido em Barcelona. Neste sábado é cumprimentado na rua por muitos catalães e apelidado de herói por ter enfrentado os manifestantes mais violentos. A estes diz o septuagenário: "Em vez de apreciarem a juventude, andam a danificar Barcelona, ​​Catalunha e Espanha." Diz ser socialista, garante que o PSOE recebeu sempre o seu voto, mas critica a fraqueza de Pedro Sanchez neste assunto.

Moradores entregam flores a polícias

A tensão e violência já provocaram mais de 300 polícias feridos e uma iniciativa popular destacou-se na manhã deste sábado. Um grupo de moradores decidiu entregar flores aos agentes que estão de serviço na sede da Via Laietana, um dos pontos quentes dos protestos.

A entrega de um ramo de flores aos agentes circula pelas redes sociais e comunicação social espanhola. Os polícias parecem ter apreciado o carinho dos cidadãos.

A oferta decorreu entre aplausos e foi gravada pelos telemóveis de populares. Pode ver-se que os polícias ficam animados, cumprimentamos os residentes que oferecem as flores. Depois, muitos outros seguiram o exemplo e as flores começaram a acumular-se. Outros residentes optaram por levar pizzas e bebidas energéticas para os polícias, como forma de demonstrar o apreço pelo seu trabalho neste momento complicado.

Comércio teme prejuízos atuais e futuros

Os problemas na Catalunha estão a gerar uma dinâmica negativa no turismo e no comércio. O impacto já é evidente. "O problema é que os turistas que estão agora na região não estão a gastar e aqueles que pensavam vir nas próximas semanas provavelmente não o farão", desabafou um comerciante.

Metade das pequenas empresas fechou ontem por causa da greve, segundo a Generalitat. Como resultado do encerramento de lojas em Barcelona, há uma queda no consumo. As empresas têm encerrado, na maioria dos casos, "mais como uma reação proativa para evitar problemas diante de possíveis episódios de violência", segundo Joan Guillen, presidente de uma associação de comerciantes. Em Barcelona, cidade de congressos e uma das mais turísticas do mundo, o impacto já é material porque as vendas para turistas nas lojas estão a cair muito. Quem está na cidade retrai as atividades nas ruas, não se sente seguro.

Polícia trava 300 anarquistas

O trabalho de prevenção dos serviços de inteligência do Estado tem sido muito intenso neste conflito. E, indica o El Mundo, a sua ação obteve um resultado - conseguiram identificar e travar a chegada de pelo menos 300 radicais anarquistas que viajavam de diferentes partes da Europa para Barcelona. Segundo fontes de segurança do estado, foi detetado um número significativo dos chamados "anarquistas radicais", perfeitamente identificados, que planeavam ir para a Catalunha participar nos episódios de violência.

As autoridades espanholas admitem que existem cerca de meio milhar que conseguiram contornar a vigilância nas fronteiras e entraram em Espanha evitando rotas diretas para a Catalunha. Esses 500 estão a revelar um peso determinante nos protestos, porque são autênticos "profissionais da violência" e consideram que a Catalunha é agora o seu "parque de diversões". A Grécia e a Itália são os países de origem daqueles considerados os mais radicais que até são classificados como "anarcoterroristas", explicam as mesmas fontes dos serviços secretos espanhóis ao El Mundo.

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