Investigação a Juan Carlos passa para mãos dos procuradores do Supremo

Em causa está o papel do antigo monarca na adjudicação das obras da ligação de alta velocidade entre Meca e Medina, na Arábia Saudita, a empresas espanholas e o pagamento de alegadas comissões ilegais.

A investigação ao pagamento de supostas comissões ilegais na adjudicação das obras de ligação do comboio de alta velocidade entre Meca e Medina, na Arábia Saudita, passa das mãos dos procuradores anticorrupção para as do Supremo Tribunal espanhol. Tudo porque um dos envolvidos é o rei emérito Juan Carlos, que só pode ser julgado por este tribunal.

Segundo um comunicado do Ministério Público, a investigação centra-se precisamente em "delimitar ou excluir a relevância criminal dos acontecimentos" que ocorreram após junho de 2014, quando Juan Carlos abdicou do trono a favor do filho, o atual rei Felipe VI. A partir desse momento, o rei emérito deixou de estar protegido pela inviolabilidade que a Constituição dá ao chefe do Estado.

O procurador Juan Ignacio Campos, perito em Crimes Económicos, ficará com a investigação. Esta começou na Audiência Nacional, depois de ser revelada uma conversa entre o ex-comissário da polícia, José Manuel Villarejo (atualmente detido), e a ex-amante de Juan Carlos, Corinna Larsen, em que esta reconhecia ter servido como testa-de-ferro do monarca nas alegadas comissões ilegais.

Em causa estão cerca de cem milhões de dólares que passaram por uma conta de Corinna na Suíça, que as autoridades suíças estão a investigar. Eventuais crimes de Juan Carlos quando ainda era rei não podem ser julgados, porque este ainda estava protegido pela Constituição. A adjudicação da obra às empresas espanholas foi em 2011.

Em março, Felipe VI renunciou a qualquer herança do pai e retirou-lhe a "mesada" a que tinha direito no orçamento da Casa Real, no valor de 194 mil euros anuais.

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