Colômbia diz que recebeu mais de cem militares e polícias que desertaram

Brasil e Colômbia têm sido os países onde estes militares estão a procurar refúgio, na sequência da tensão que se gerou no âmbito da entrada de ajuda humanitária no país.

Mais de uma centena de elementos das forças armadas e de segurança da Venezuela desertaram desde sábado e procuraram refúgio na Colômbia, de acordo com informações do Serviço de Migrações colombiano, citadas pela France-Presse.

"Até agora, o Serviço de Migrações da Colômbia recebeu mais de cem elementos das forças armadas da Venezuela, que saíram do país fugindo da ditadura de [Nicolás] Maduro", referiu hoje aquele organismo em comunicado.

O número de deserções entre os militares e forças de segurança da Venezuela intensificou-se nas últimas horas, na sequência da escalada de tensão em torno da entrada de ajuda humanitária no país.

A deserção foi também a opção do major-general Hugo Parra Martínez, cuja fuga foi acompanhada em direto pelas televisões. O gesto de Hugo Parra Martínez foi ao encontro do apelo do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, que pediu aos militares do seu país para ficarem "do lado certo da história".

Entre os elementos da Guarda Nacional da Venezuela que optaram por virar as costas a Maduro estão ainda o tenente Richard Sanchéz Zambrano e os sargentos Edgar Valera e Oscar Torres Suarez Torres.

O Brasil e a Colômbia têm sido os países onde estes militares estão a procurar refúgio.

Juan Guaidó anunciou, através da rede social Twitter, que anulava a classificação de traidores aos militares que cruzassem a fronteira e que os funcionários que impedissem a entrada de ajuda humanitária no país seriam considerados como desertores.

"Na minha condição de comandante chefe das Forças Armadas Nacionais (da Venezuela), dadas as circunstâncias excecionais que vive a República, deixo sem efeito a classificação de traidores da pátria, para os efetivos militares que cruzem a fronteira", escreveu na sua conta do Twitter.

A crise política na Venezuela agravou-se a 23 de janeiro, quando Juan Guaidó se autoproclamou presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos do presidente Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do Parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

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