Trump tweeta enquanto filha de McCainn o ataca: "A América sempre foi grande"

Senador republicano, que morreu há uma semana vítima de cancro no cérebro, não queria o atual presidente no seu funeral. A sua filha não resistiu e acabou a mandar recado a Trump

Enquanto a América rende homenagem a John McCain, com os ex-presidentes Barack Obama e George W. Bush a discursarem no seu funeral, o atual chefe do Estado norte-americano, Donald Trump, passou a manhã a escrever tweets sobre outros assuntos. Nomeadamente sobre a investigação à alegada interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, que classificou, num dos posts, como Fake Dossier.

"O que têm é um Fake Dossier, reunido por Steele, pago pela equipa de Clinton para terem informações sobre Trump. O Dossier é Fake, nada do que está nele foi verificado. Depois é filtrado para o sistema judicial americano com o objetivo de espiar o opositor político de Barack Obama e Hillary Clinton", escreveu o presidente republicano, num dos seis tweets que escreveu este sábado.

Na NAFTA e o Canadá foram outros dos temas em destaque nas publicações do líder dos EUA no Twitter. "...Lembrem-se, a NAFTA é um dos PIORES acordos comerciais alguma vez feitos. Os EUA perderam milhares de negócios e milhões de empregos. Nós somos de longe melhor fora da NAFTA - nunca deveria ter sido assinado. Nem o IVA foi acautelado. Ou fazemos um novo acordo ou vamos para o pré-NAFTA!"

"Que melhor maneira de arrancar sorrisos do que fazer com que eu e George digamos coisas simpáticas sobre ele em frente a todo o país", afirmou Obama, no elogio fúnebre de McCain. O ex-presidente democrata prosseguiu: "John compreendia que o que faz de nós um grande país é que a nossa pertença ao mesmo não é feita com base em linhas de sangue, não no nosso aspeto... mas na nossa adesão a crenças comuns, de que somos todos iguais, perante o Criador". Obama notou que McCain sempre "lutou por uma imprensa livre e independente, que é vital para o debate democrático".

Sem nomear Trump, Obama foi bastante esclarecedor para quem o ouviu: "Muito na nossa política pode parecer pequeno, mau e mesquinho. Caindo no insulto, na controvérsia e raiva fabricada. É a política que finge ser corajosa e, apesar de tudo, nasce do medo. John pediu-nos para sermos maiores do que isso, melhores do que isso".

W. Bush, por seu lado, no discurso que fez, admitiu que ele e McCain passaram da rivalidade à amizade. "Quando o processo de rivalidade se dissolveu, eu pude tirar partido de uma das maiores dádivas da vida, a amizade de John McCain". O ex-presidente republicano afirmou ainda que John McCain "detestava o abuso de poder e não suportava fanáticos e déspotas arrogantes. Ele respeitava a dignidade humana inerente a cada vida, a dignidade que não se esgota nas fronteiras e não pode ser apagada por ditadores."

A família de McCain, que era um duro crítico das atitudes e das decisões de Trump, deixou claro que o senador do Arizona não queria o atual presidente no seu funeral. Apesar de serem ambos republicanos. E foi da filha de McCain, Meghan, que saiu a maior crítica a Donald Trump. Num discurso emocionado, sublinhou: "A América de John McCain não tinha necessidade de se tornar grande, porque a América sempre foi grande", numa referência ao slogan de campanha do atual presidente.

No entanto, a sua filha, o seu genro e o seu conselheiro de Segurança Nacional, respetivamente Ivanka Trump, Jared Kusher e John Bolton, estiveram presentes nas cerimónias fúnebres.

O corpo de McCain, herói da guerra do Vietname (onde chegou a estar preso), esteve em câmara ardente no Capitólio, em Washington, tendo depois sido transportado para a Catedral Nacional de Washington.

Nas cerimónias fúnebres de McCain estiveram também outras figuras como o apresentador de televisão Jay Leno e os ex-secretários de Estado dos EUA Madeleine Albright e John Kerry. McCain, que sofria de um grave cancro no cérebro, morreu aos 81 anos no dia 25 de agosto, quatro dias antes de fazer 82 anos.

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