Tenente mostra vídeos de torturas do governo de Maduro

O confronto entre duas fações venezuelanas tem gerado repercussões políticas, económicas e humanitárias no país. O militar relata que muitos dos presos políticos são torturados com choques elétricos, pancadas em áreas vitais, injetados com substâncias desconhecidas e sufocados com sacos de plástico.

O tenente venezuelano Ronald Dugarte, que decidiu desertar do serviço militar, enviou esta quarta-feira uma série de vídeos à Organização dos Estados Americanos (OEA) que mostram a alegada tortura praticada pelo governo do presidente Nicolás Maduro contra os opositores. Numa das gravações, vê-se um homem de mãos atadas atrás das costas, olhos vendados, sentado no mesmo piso onde fazia as suas necessidades. Assim terá permanecido durante 30 dias, relata o militar.

De acordo com o El Mundo, a divulgação destas filmagens surge poucas horas após as declarações da alta-comissária para os direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, alertando para a prática de tortura e execuções na Venezuela.

"Decidi desertar, porque nunca tinha visto tantas atrocidades, com presos a quem não é automaticamente cedido apoio médico e a serem torturados", revelou Ronald Dugarte. Segundo o seu relato, muitos deles são diariamente castigados com choques elétricos, pancadas em zonas vitais, injetados com substâncias desconhecidas e sufocados com sacos de plástico.

Nos vídeos partilhados, mostra as alegadas salas de tortura nas instalações de Boleíta Norte, onde permanecem 70 soldados como presos políticos.

Esta quarta-feira, a alta-comissária Michelle Bachelet disse estar preocupada com a crise política, económica, mas principalmente humanitária que se vive na Venezuela. "No contexto da última vaga de manifestações antigovernamentais (...) durante os dois primeiros meses deste ano, o Alto Comissariado documentou numerosas violações dos direitos humanos e abusos cometidos pelas forças de segurança e por grupos armados pró-governo", alertou. A representante da ONU menciona "um recurso excessivo de força, assassínios, detenções arbitrárias e uso de técnicas de tortura"

Bachelet garante que o organismo continua a investigar as denúncias de execuções extrajudiciais na Venezuela. A suspeita recai sobre pelo menos 205 mortes atribuídas às forças especiais venezuelanas (FAES) em 2018 e outras 37 durante os protestos de janeiro em Caracas, aquando da autoproclamação de Juan Guaidó como Presidente interino.

Em junho, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos irá publicar um relatório sobre a situação na Venezuela.

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