Steve Bannon desconvidado do Festival New Yorker

O ex-conselheiro de Donald Trump foi convidado como cabeça de cartaz do festival da revista New Yorker. Os outros participantes não gostaram, nem os jornalistas do magazine, e o editor David Remnick teve de o desconvidar.

Steve Bannon, o ex-assessor político e estratega da campanha presidencial e conselheiro de Donald Trump, foi considerado indesejado no Festival [da revista] New Yorker a realizar-se no próximo mês. Tal como aconteceu recentemente em Portugal com o convite feito pela web summit a Marine Le Pen, também Steve Bannon foi considerado persona non grata no evento devido aos Ideais de extrema-direita que defende.

Bannon foi desconvidado ontem após uma polémica em torno da sua presença como cabeça de cartaz do Festival New Yorker no decurso de protestos de alguns participantes, entre os quais o ator Jim Carrey, Patton Oswalt, o produtor Judd Apatow e o comediante John Mulaney, que anunciaram a sua recusa em estar presentes no 19.ª edição festival no início de outubro. Apatow, por exemplo, colocou no tweet a seguinte declaração: "Se Steve Bannon está no Festival New Yorker, eu estou fora."

A desistência em manter a polémica figura de Steve Bannon como figura principal do festival foi comunicada pelo próprio editor da New Yorker, David Remnick, que se defendeu afirmando que o convite tinha como objetivo "colocá-lo perante perguntas difíceis e confrontá-lo num debate sério e combativo, o que não seria possível acontecer numa entrevista a sós".

Na resposta ao desconvite, Bannon considerou que Remnick era um "cobarde" por ceder a pressões. Em comunicado, considerou que "aceitara a sua participação [no festival] por uma razão simples: estaria perante os mais ferozes jornalistas desta geração e David Remnick garantiu-me que seria um momento definidor."

Segundo Remnick, a presença numa sessão pública iria pressionar Steve Bannon nas respostas, mas não é essa a opinião dos que contestam a presença do assessor que esteve ao lado de Trump nos primeiros sete meses do seu mandato conforme refere a notícia no jornal The New York Times esta semana. No seguimento desta notícia foram muitos os protestos, inclusivê de colaboradores da New Yorker, como a escritora Kathryn Schultz que postou nas redes sociais a sua discordância: "Adoro trabalhar [na New Yorker] mas discordo disto. E já o tornei muito claro a David Remnick".

O editor defendeu-se do convite que fez a Bannon afirmando que não pretendia que a revista se tornasse uma plataforma para a defesa das ideias do ex-conselheiro de Trump, como é o caso das propostas de supremacia branca, racismo, antissemitismo, entre outras, e que a entrevista a realizar no festival não "serviria para as apoiar", até porque, alegou, não era a primeira vez que os jornalistas da revista o entrevistavam. Por essa razão, decidiu optar por desconvidar Bannon: "Reconsiderei e mudei de opinião. Haverá uma melhor forma para o fazer."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.