Roménia inicia referendo para proibir casamentos gay na Constituição

O referendo resulta de uma "iniciativa cidadã" de várias associações próximas da igreja ortodoxa.

A Roménia vai iniciar hoje um referendo, que vai durar até domingo, para inscrever na Constituição a proibição do casamento homossexual.

O referendo, aprovado pela câmara baixa do parlamento no dia 12 de setembro, resulta de uma "iniciativa cidadã" de várias associações próximas da igreja ortodoxa, que afirmam terem recolhido três milhões de assinaturas. A população do país é de cerca de 19 milhões.

Segundo o texto aprovado pelos eleitos e que deverá integrar a lei fundamental caso o "sim" vença o referendo, o casamento representa "a união entre um homem e uma mulher".

Embora o casamento homossexual não seja permitido na Roménia, atualmente a constituição refere uma união "entre cônjuges".

Os opositores da lei consideram que esta nova linguagem constitucional é uma tentativa mesquinha de fazer as pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgéneros (LGBT) sentirem-se ainda mais cidadãos de segunda classe.

Para a associação Accept, que defende os direitos das minorias sexuais, com o seu voto "o Senado romeno faz da homofobia um valor de Estado e sacrifica a proteção constitucional de numerosas famílias".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.