Revista de Imprensa: O mundo com os olhos postos no "Trump do Brasil"

A maioria dos artigos na imprensa internacional compara a vitória de Jair Bolsonaro no Brasil com a eleição de lideres de extrema-direita noutros países.

El Mundo

"O novo presidente do Brasil, conhecido pelas suas afirmações homófobas e racistas, e pelo seu estilo autoritário no momento de fazer política, suscita paixões e ódios", escreve o jornal espanhol El Mundo ao noticiar a vitória do "ultradireitista" Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais do Brasil, sublinhando o facto de este ser, hoje, um país polarizado: "O ex-capitão do exército terá de governar para uma sociedade profundamente dividida entre os que o consideram uma esperança para que o Brasil volte a crescer e acreditam que ele vai conseguir limpar as instituições da corrupção; e aqueles que o veem como um pesadelo e temem um governo militarista que restrinja os direitos democráticos e acentue as desigualdades sociais."

El Pais

"Depois de ouvi-lo, dir-se-ia que Trump ao seu lado parece Olof Palme." Estas são as palavras do jornalista espanhol Iñaki Gabilondo no El Pais de hoje, ao analisar a vitória de Bolsonaro:

Na notícia sobre a eleição, o jornal espanhol explica que "com esse estilo de homem duro que chama as coisas pelo nome que tanto triunfa nestes tempos (veja-se o americano Trump, o húngaro Orbán, o russo Putin, o filipino Duterte, o turco Erdogan...), este capitão nostálgico da ditadura, na reserva desde o final dos anos 1980, conseguiu capitalizar a indignação que assola a maioria dos brasileiros; o desencantamento com a classe política de sempre; a fúria diante de uma corrupção que atinge todos os partidos; uma saciedade generalizada de que Bolsonaro se aproveitou, apresentando-se como um exemplo de limpeza."

The Guardian

"Ansiosos por acreditar que ele estava do seu lado, muitos eleitores alienados ignoraram, ou perdoaram, as visões misóginas e homofóbicas de Bolsonaro e a sua defesa de soluções violentas. (...) As eleições no Brasil provaram que em momentos de grande stress (o Brasil está a sofrer uma grave recessão e taxas recorde de criminalidade) a importância decisiva da "política de identidade", definida por género, raça e orientação sexual, pode ser sobrevalorizado", escreve Simon Tisdall, na análise dos resultados que faz para The Guardian. "As eleições no Brasil replicaram os temas nacionalistas-populistas habituais, com os quais os eleitores dos EUA e da Europa se podem identificar. Mas a política da intolerância e da agressividade marca a diferença. Aqui não havia populismo de direita, ao estilo do argentino Carlos Menen ou do italiano Silvio Berlusconi, mas sim um neo-fascista mais parecido com Goebbels, disse o autor Federico Finchelstein."

Clarín

"O Brasil decidiu dar a volta ao seu futuro e este domingo consagrou Jair Bolsonaro como o próximo presidente do país", escreve o jornal argentino Clarín, que destaca ainda as declarações do futuro ministro das Finanças do Brasil, Paulo Guedes: "Argentina não é uma prioridade; o Mercosul também não é uma prioridade". Para o ministro "o Mercosul é muito restritivo. O Brasil ficou prisioneiro de alianças económicas e isso é mau para a economia."

Le Monde

"Aos 63 anos, o militar na reserva, por vezes rude, racista ou homofóbico, é o novo presidente do Brasil", escreve o jornal Le Monde, que chama a Bolsonaro "um nostálgico da ditadura militar": "O Brasil, em choque, descobre hoje o rosto de um parlamentar até agora insignificante. Um homem faminto de notoriedade e controvérsia, muitas vezes ridicularizado pela sua ignorância e famoso pelas suas frases curtas, agressivas, vulgares e misóginas."

CNN

"Bolsonaro vence Hadad numa das campanhas mais polarizadas e violentas da história do Brasil", escreve o site norte-americano da CNN, que chama a Bolsonaro "o Trump do Brasil": "Uma longa recessão, o crescimento da insegurança e uma massivo escândalo de corrupção, que abalou a política e as instituições brasileiras, foram alguns dos motivos que levaram a este resultado."

The New York Times

"No domingo, o Brasil tornou-se o mais recente país a virar em direção à extrema direita, elegendo um populista estridente como presidente na mudança política mais radical do país desde que a democracia foi instaurada há mais de 30 anos", escreve o jornal norte-americano The New York Times. "Bolsonaro, que assumirá o comando da maior nação da América Latina,está mais à direita do que qualquer presidente da região, onde os eleitores escolheram recentemente líderes mais conservadores, como a Argentina, Chile, Peru, Paraguai e Colômbia."

The Economist

The Economist, que chegou a fazer uma capa falando da "ameaça" Bolsonaro, começa o seu texto com a frase: "Os brasileiros fizeram uma péssima escolha". O texto, intitulado Contendo Bolsonaro, explica que ele é um "apoiante de ditadores e de armas, que incita a polícia a matar suspeitos, que ameaça banir adversários os opositores e diminui as mulheres, os negros e os gay."

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