A Holanda madrugou para ser o primeiro dos 28 da UE a votar

É o primeiro Estado-membro da União Europeia a começar a votar. Urnas nos Países Baixos abriram às 7.30 locais para acolher os primeiros votos que irão definir a composição do Parlamento Europeu na próxima legislatura.

A Holanda madrugou esta quinta-feira para se tornar no primeiro Estado-membro da União Europeia a votar, com as urnas a abrirem às 7.30 locais (6.30 em Lisboa) para acolher os primeiros votos que irão definir a composição do Parlamento Europeu na próxima legislatura.

Primeiro Estado-membro a ir às urnas - assim o determina o fuso horário, já que no Reino Unido, o outro país do clube dos 28 a realizar hoje o escrutínio europeu, o relógio está uma hora atrasado -, a Holanda despertou cedo para votar e Haia, a terceira maior cidade holandesa e sede do Governo nacional, não foi exceção.

Entre a acalmia e o silêncio de um centro quase deserto, entrecortados pelo zumbido das bicicletas que passam a toda a pressa e o bulício dos restaurantes que se abastecem com os produtos do dia, ultimam-se os preparativos para o processo eleitoral que se prolongará até as 21.00 locais (20.00 em Lisboa).

Diante da Casa da Europa, cinco minutos antes da hora marcada para a abertura das urnas (7.30 locais, menos uma em Lisboa), Joost e Tjibbe contemplam o hastear das já famosas bandeiras azul-europeu, que apelam ao voto, e não resistem a eternizar o momento numa fotografia para a posterioridade.

"Trabalhamos aqui ao lado, num dos ministérios, e passamos aqui todos os dias. Quando vimos que nestas eleições europeias poderíamos votar aqui, pensámos que era um ótimo sítio para votar", explicou Tjibbe à Agência Lusa.

Localizada mesmo em frente ao Binnenhof, o complexo de edifícios que é o coração político da Holanda, a Casa da Europa tem não só vista para o lago Hofvijver, mas também para o escritório do primeiro-ministro do país, Mark Rutte: "está a ver aquela luz acesa? Pode muito bem ser do escritório dele", atira Tjibbe.

Rutte tornar-se ia rapidamente outro dos temas de conversa, uma vez que o nome do primeiro-ministro holandês soa em Bruxelas como um dos mais fortes candidatos à sucessão do polaco Donald Tusk na presidência do Conselho Europeu. "Não acredito que ele aceite", pontua Joost, embora acredite que o líder do Governo holandês fosse "uma boa pessoa para a Europa", num momento em que, como alerta Tjibbe, é ainda mais importante votar em partidos pró-europeus, em nome de uma "União Europeia mais forte".

Também Kees Schmitz não acredita que Mark Rutte tenha ambições europeias: "Ele nega, mas isso não quer dizer nada. O que eu sei é que habitualmente acaba por ser presidente do Conselho Europeu alguém cujo nome não foi falado."

Enquanto prepara a sua bicicleta para a curta viagem que o levará até à estação central de Haia, aquele que foi o primeiro eleitor de sempre a votar na Casa da Europa numas eleições europeias -- foi a primeira vez que acolheu uma das mesas de voto -- confessa que escolheu o simbólico endereço para cumprir uma tradição, a de votar num "edifício especial" que, de outra forma, não poderia conhecer.

"É sempre importante votarmos, se houver essa possibilidade. É a única maneira de termos, pelo menos, alguma influência nas decisões políticas. Espero que nos próximos anos, as instituições europeias façam mais pelo clima e que haja uma maior colaboração e diálogo entre os Estados. Que se ajudem mais em vez de se perderem em objeções, como acontece agora com o tema das migrações", defende.

Kees Schmitz assume-se preocupado com a ascensão do populismo na UE, mas ainda assim está otimista quanto ao desfecho das eleições europeias: "Penso que essas forças não terão tanta representatividade no próximo Parlamento Europeu como se fala, contudo, qualquer que seja o número de assentos que conquistem será demasiado".

Entre hoje e domingo, cerca de 400 milhões de cidadãos europeus vão eleger os 751 deputados do Parlamento Europeu para a legislatura 2019-2024, com a data das eleições a variar consoante os Estados-membros, uma vez que cabe aos Governos nacionais fixar o dia de realização do escrutínio.

Depois da Holanda e Reino Unido, na sexta-feira será a vez de a Irlanda eleger os seus representantes na assembleia europeia, seguindo-se Letónia, Malta e Eslováquia, enquanto na República Checa o voto prolonga-se por dois dias, entre sexta-feira e sábado.

Todos os outros Estados-membros, incluindo Portugal, que elege 21 eurodeputados, escolheram o último dia do período eleitoral para a ida às urnas.

Os resultados das eleições nos 28 Estados-membros só serão conhecidos no domingo, com o PE a estimar que a primeira projeção de resultados globais seja revelada cerca das 23:15 em Bruxelas, menos uma hora em Lisboa.

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