Puigdemont e socialistas a subir a um mês das eleições

Sondagem dá uma nova vitória dos independentistas a 21 de dezembro, com maioria absoluta de deputados mas não de votos

A um mês das eleições autonómicas catalãs, uma sondagem do Gabinete de Estudos Sociais e Opinião Pública para o jornal El Periódico aponta para um crescimento do Junts per Catalunya (JxCat), a lista de Carles Puigdemont, às custas da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), liderada pelo ex-vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras. Do lado não independentista, os socialistas crescem graças aos votos que antes eram do Ciudadanos, que perde apoio à esquerda mais vai buscá-lo à direita, com o Partido Popular em queda. No final, se o cenário se mantiver igual até 21 de dezembro, os independentistas voltam a ter maioria absoluta de deputados, mas não de votos.

Segundo a sondagem, a ERC de Junqueras (detido em Madrid) teria 23,9% das intenções de voto e elegeria 37 a 38 deputados - 4,2 pontos e seis deputados menos do que há um mês. Precisamente o mesmo número de representantes que o JxCat ganha para chegar aos 16,5% e 24 ou 25 deputados. Puigdemont aguarda em liberdade a decisão da justiça belga sobre a extradição para Espanha. A Candidatura de Unidade Popular (CUP, radicais), que perde 1,5 pontos comparando com outubro e cai dos 9 ou 10 representantes para 7 ou 8. A sondagem foi feita entre 15 e 18 de novembro, quando se ultimavam as listas de candidatos, com base em 800 entrevistas. A margem de erro de 3,5%.

No balanço global, os independentistas mantém a maioria absoluta de deputados, mas voltam a não ter a maioria absoluta de votos. Dentro das forças não independentistas, os socialistas ganham terreno ao Ciudadanos, hoje o maior partido da oposição. Num mês, o partido de Miquel Iceta ganha 3,6 pontos para os 18,1% e quatro deputados, ficando com 24 ou 25 representantes. Precisamente os mesmos que o Ciudadanos, que tem 18,6%. O partido de Inés Arrimadas perde eleitores para o PSC à esquerda mas vai buscá-los à direita, ao PP, que cai de 9 ou 10 deputados em outubro para 6 ou 7. Os Comuns (como é conhecida a aliança entre o Catalunya en Comú e o Podemos catalão) cai de 11 ou 12 deputados para 9 ou 10.

Na véspera, outra sondagem, da GAD3 para o ABC, apontava para uma subida de oito deputados dos partidos "constitucionalistas" em relação às eleições de dezembro de 2015: PS, Ciudadanos e PP teriam em conjunto 60 deputados. Menos um que ERC e JxCat.

Campanha em liberdade

Os ex-membros do governo catalão - Jordi Turull (Presidência) e Josep Rull (Território) - pediram ontem à Audiência Nacional que os deixe participar na campanha em liberdade, alegando ter aceitado a aplicação do artigo 155.º da Constituição. Segundo o recurso apresentado pelo advogado de ambos, os ex-consellers "acataram expressamente as medidas decretadas ao abrigo do artigo 155.º sem fazer ou promover qualquer tipo de resistência à sua aplicação".

Turull e Rull estão entre os oito antigos membros do governo detidos, acusados de rebelião, sedição e peculato na organização do referendo e na declaração unilateral de independência. Quando foram presentes à juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional, recusaram declarar e acabaram por ficar detidos. Pelo contrário, a presidente do Parlamento, Carme Forcadell, e os outros líderes parlamentares ouvidos pelo Supremo Tribunal acataram o artigo 155.º que suspendeu a autonomia catalã e argumentaram que a declaração de independência foi apenas "simbólica".

Procurando alterar a posição dos seus clientes, o advogado Jordi Pina alega que "não há nenhuma vontade, nem risco, de continuar a praticar o crime de que são acusados, mas de compromisso em manter as legítimas aspirações políticas no curso do confronto democrático eleitoral, com pleno respeito ao pluralismo político que tem que reger a convocatória eleitoral". Turull e Rull são candidatos pela lista do JxCat.

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