Professor ensina Word aos alunos usando o quadro. Não há computadores na escola

O docente desenhou na ardósia uma página do programa para que os alunos pudessem reconhecê-lo quando tiverem acesso a um equipamento tecnológicoProfessor ensina Word aos alunos usando o quadro. Não há computadores na escola

Owura Kwadwo é professor de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) numa escola em Kumasi, no Gana. Aquela, como muitas outras escolas do país, não têm computadores, mas o docente não quis que os seus alunos ficassem ainda (mais) prejudicados pela falta de equipamentos tecnológicos. Por isso, desenhou no quadro de ardósia uma página do Microsoft Word. As imagens foram partilhadas no Facebook pelo professor, tornaram-se virais e houve já quem tivesse oferecido computadores à escola.

"O ensino de TIC na escola de Gana é muito engraçado", escreveu Kwadwo.

"Cada professor tem a sua maneira de apresentar a informação aos seus alunos. Esta é a minha ", explicou o professor ao site Bored Panda, citado pelo El País. O docente contou que aprovietou os seus estudos em artes visuais para criar uma simulação do Word no quadro. "Pelo menos, os alunos terão uma ideia do que vão ver quando estiverem às frente do ecrã de um computadorr", justificou Owura Kwadwo.


A publicação Kwadwo foi muito aplaudida mas iniciou também um debate no Gana sobre a falta de recursos nas escolas rurais, como é o caso da escola em que este docente trabalha.

O professor, no entanto, acredita que o Governo do seu país está a tentar obter novas tecnologias para escolas com menos recursos, embora o processo seja lento. "Precisamos de melhores equipamentos e infraestruturas", confirmou Kwadwo

O post no Facebook gerou uma onda de solidariedade e várias pessoas já ofereceram computadores e projetores para a escola de Owura Kwadwo. "Existem escolas com os mesmos problemas que o nosso e, por isso, vamos enviar parte das doações que nos estão a chegar", disse o professor, que acredita que o ensino das novas tecnologias vai ajudar no progresso do Gana.

Rebecca Enonchong, uma empreendedora na área da tecnologia, ajudou a divulgar a história com um tweet que chegou à Microsoft, que já prometeu oferecer um computador ao criativo professor.

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