Já temos palavra do ano:'Pós-verdade'

O referendo sobre o 'Brexit' no Reino Unido e a eleição presidencial nos Estados Unidos estão na origem da escolha da palavra do ano 2016.

O termo 'pós-verdade' foi escolhido como a palavra do ano 2016 pelos dicionários britânicos Oxford, vocábulo que surge no contexto do 'Brexit' (saída britânica da União Europeia) ou da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Segundo a definição dos dicionários Oxford, pós-verdade ('post-truth' em inglês) é um adjetivo que faz referência a "circunstâncias em que os factos objetivos têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais".

Para ser mencionada nesta prestigiada instituição, a palavra deve ter sido utilizada em jornais ou em títulos literários por um período mínimo de 10 anos.

De acordo com os dicionários Oxford, a palavra pós-verdade tornou-se em 2016 "um pilar do comentário político" e o seu uso aumentou 2.000 por cento face ao ano anterior "no contexto do referendo sobre o 'Brexit' no Reino Unido e da eleição presidencial nos Estados Unidos".

O surgimento da palavra pós-verdade na linguagem foi "alimentada pela ascensão das redes sociais como fonte de informação e a crescente desconfiança face aos factos apresentados pelo poder estabelecido", referiram os editores dos dicionários, que explicaram ainda que o prefixo "pós" não é utilizado exclusivamente para referir uma situação ou um acontecimento específico posterior, como pós-guerra, mas também para salientar a rejeição ou irrelevância de um conceito.

Na lista final das potenciais palavras do ano 2016 constavam ainda outras nove palavras, incluindo 'brexiteer', usada para os apoiantes do 'Brexit', e 'alt-right', ideologia conotada com os Estados Unidos caracterizada por um ultra conservadorismo, pela recusa da política tradicional e pelo recurso à Internet para difundir mensagens controversas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Crespo

E uma moção de censura à oposição?

Nos últimos três anos, o governo gozou de um privilégio raro em democracia: a ausência quase total de oposição. Primeiro foi Pedro Passos Coelho, que demorou a habituar-se à ideia de que já não era primeiro-ministro e decidiu comportar-se como se fosse um líder no exílio. Foram dois anos em que o principal partido da oposição gritou, esperneou e defendeu o indefensável, mesmo quando já tinha ficado sem discurso. E foi nas urnas que o país mostrou ao PSD quão errada estava a sua estratégia. Só aí é que o partido decidiu mudar de líder e de rumo.

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.