ADN ajuda polícia a identificar suspeito de morte de criança há 20 anos

Testes de ADN permitiram identificar o presumível assassino de um menino de 11 anos. Jos Brech já está na lista dos mais procurados pela Interpol

Após o maior programa de testes de ADN alguma vez feito na Holanda, que permitiu identificar um suspeito pelo homicídio de Nicky Verstappen, um menino de 11 anos que foi encontrado morto em 1998, a polícia holandesa lançou uma caça ao homem para capturar aquele que é agora o principal suspeito do assassinato.

Segundo as autoridades holandesas, o ADN encontrado em objetos pessoais de Jos Brech revelou uma compatibilidade de 100% com o ADN encontrado na cena do crime.

A 11 de agosto de 1998, o corpo da criança, que foi vítima de agressão sexual, foi encontrado numa floresta, a alguns quilómetros do acampamento de jovens onde estava, e de onde tinha desaparecido no dia anterior. Na altura ninguém chegou a ser detido.

O homem que é agora o principal suspeito, que vivia a cerca de 13 quilómetros do local, foi interrogado pela polícia três vezes, a primeira das quais logo dois dias após o homicídio, quando foi apanhado a rondar o local do crime depois da meia-noite. Jos Brech alegou então que estava simplesmente a apanhar ar, e nunca foi considerado suspeito.

Com o crime por desvendar há 20 anos, e aproveitando os avanços nas técnicas de ADN, a polícia holandesa lançou em maio do ano passado o maior programa de testes alguma vez feito no país, conta o jornal britânico The Guardian. Quase 15 mil homens da região responderam ao apelo das forças policiais e, embora Jos Brech não tenha sido um deles, o ADN de um dos seus familiares revelou a primeira pista que apontava para Brech. A partir de pijamas recolhidos na casa do suspeito, a polícia chegou ao que qualifica como uma "compatibilidade de 100%" com o ADN identificado no local do crime.

Na sequência da investigação, o holandês entrou agora para a lista dos mais procurados pela Interpol. Segundo as informações avançadas pela polícia, Brech saiu da Holanda em outubro do ano passado, e em fevereiro disse à família que estava na região de Vosges, uma cadeia montanhosa na Lorena, perto da fronteira com a Alemanha. Desde então não deu mais notícias e foi dado como desaparecido em abril.

Forças policiais conjuntas da Holanda e da França levaram a cabo buscas intensivas na região, em julho, mas não encontraram rasto do homem. Antigo escuteiro, Jos Brech é apontado pela polícia como muito experiente nestes ambientes, sendo capaz de sobreviver sozinho por largos períodos sem qualquer contacto com o exterior.

Numa conferência de imprensa na cidade de Maastricht, na quinta-feira, a polícia disse estar convencida que "o suspeito está agora escondido".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.