Paris proíbe trotinetes "estacionadas" nos passeios

Presidente da câmara da capital francesa fala em anarquia e quer pôr regras ao uso deste veículo elétrico que transformou a mobilidade e a paisagem urbana nas grandes cidades. Por cá, ao mesmo tempo que aumentam os adeptos, as trotinetes também ganham inimigos.

A Câmara de Paris quer pôr fim à anarquia das trotinetes: estacionar estes veículos nos passeios e reduzir o número de empresas que operam na cidade são apenas algumas das medidas que vão ser tomadas.

Anne Hidalgo anunciou quinta-feira que lançará um concurso com vista à redução de 12 para apenas duas ou três empresas autorizadas a operar com trotinetes. A presidente da Câmara de Paris entende que é necessário tomar medidas que regulem, e ao mesmo tempo restrinjam, o uso dos veículos nos espaços urbanos da capital.

Segundo o Le Monde , o concurso definirá o número máximo de trotinetes que poderão transitar na cidade. "Hoje, há mais de 20 mil, é demais", disse a autarca. Quanto aos 40 mil adiantados para 2020, garantiu que serão uma impossibilidade.

Em conjunto com a polícia, a câmara parisiense irá criar regras para que passe a ser proibido que as trotinetes sejam largadas nos passeios - a intenção é criar espaços próprios de estacionamento.

Outra das intenções da autarquia é pedir aos operadores que reduzam a velocidade dos dispositivos. Assim, a velocidade máxima de 25 Km/hora atualmente autorizada deverá cair para 20 Km/hora. E em áreas reservadas a pedestres não poderão ultrapassar os 8 Km/h. A circulação deverá ser igualmente interditada em parques e jardins.

Cada vez se ouvem mais críticas à proliferação de trotinetes na capital francesa - uma das mais recorrentes é o abandono nos passeios. Mas as vozes também se levantam pelo facto dos utilizadores raramente usarem as ciclovias e de andarem demasiado rápido.

As trotinetes chegaram há cerca de um ano a Portugal, mas também já estão a ganhar inimigos. O abandono dos veículos nos locais mais inusitados - podem encontrar-se penduradas nas árvores ou nos caixotes do lixo - já levou à criação de uma conta de Instagram - a deadscooter - que publica fotos de todas trotinetes que encontra mal estacionadas. Algumas das soluções são no mínimo imaginativas, outras perigosas.

Em Portugal há cerca de uma dezena de empresas neste mercado: E há quase outras tantas que já mostraram interesse em operar no nosso país, sendo empresas nacionais, europeias e americanas.

As trotinetes transformaram a paisagem urbana e tornaram-se populares em todo o mundo por facilitarem a mobilidade, Ao mesmo tempo, têm reunido críticas - e não é só em França ou Portugal. No estado americano da Califórnia, os habitantes começaram a atirar ao mar as trotinetes que encontravam mal estacionadas.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.