Notre-Dame. Padres de capacete na primeira missa após o incêndio

Dois meses depois das chamas consumiram a Notre-Dame, apenas 9% do fundos chegaram à Catedral

A Catedral francesa Notre-Dame recebeu este sábado a sua primeira missa depois do incêndio que destruiu parte do monumento há dois meses. No interior da igreja apenas puderam estar cerca de 30 pessoas entre sacerdotes, crentes, técnicos e jornalistas, que tiveram de usar capacetes durante a missa por motivos de segurança.

O único momento em que foi possível retirar os capacetes foi durante o ritual da toma da hóstia e do vinho, que representam respetivamente o corpo e o sangue de Cristo para os católicos.

A eucaristia, transmitida em direto, começou por volta das 17 horas portuguesas (18:00 em Paris) e foi conduzida pelo arcebispo da Igreja Católica de Paris Michel Aupetit. "Sempre viva", disse o sacerdote sobre a catedral. A cerimónia religiosa durou cerca de uma hora.

Michel Aupetit aproveitou ainda a missa para deixar uma mensagem sobre o papel da Catedral. Na visão do sacerdote este não é um local turístico; os que por ali passam, até podem "entrar por curiosidade, mas não saem da mesma forma". Apontando para as estátuas e para os vitrais da igreja lembrou que "tudo aqui é cultura e arte", que foi construída "em função de uma divindade superior e transcendente".

A 15 de abril, por volta das 18:30, o mundo assistiu incrédulo ao incêndio que devastou grande parte da catedral parisiense. O fumo começou a surgir perto dos andaimes que tinham sido construídos nos últimos meses para realizar obras no pináculo, La Fléche, que se desmoronou passada uma hora das chamas terem deflagrado. Cerca de 500 bombeiros foram enviados para a Île de la Cité, em Paris, para ajudar a combater as chamas, que foram dadas como totalmente extintas cerca de 12 horas após o início do incêndio.

Depois das imagens das chamas a consumirem a catedral terem corrido o mundo, vários filantropos mostraram-se disponíveis para contribuir para a reconstrução do edifício histórico. E o presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu mesmo que a obra estaria concluída em cinco anos. Apesar disto, exatamente dois meses depois do incêndio, apenas 9% dos fundos prometidos chegaram à diocese. Ou seja, apenas 80 milhões, de acordo com as informações divulgadas esta sexta-feira pelo ministério da Cultura francês.

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