Premium O dia em que me chamaram capitalista no mausoléu de Khomeini

Belezas persas e ayatollahs barbudos, mas também uma nação com mais de 2500 anos e um povo amante do cinema. O jornalista do DN esteve há alguns meses no Irão e faz aqui a síntese dos desafios 40 anos depois da Revolução Islâmica de 1979. As sanções de Trump preocupam, claro, mas as guerras por procuração também não são populares.

As persas são lindas e mesmo assim abusam da cirurgia estética, quem manda no país são só homens barbudos e de turbante, a América continua a ser o Grande Satã e não perdoa o sequestro da embaixada pelos revolucionários, a gasolina é mais barata do que a água. Usar clichês destes ajuda a atrair leitores, mas não faz justiça a nenhum país, muito menos um tão complexo como o Irão.

Por exemplo, hoje celebram-se 40 anos da Revolução Islâmica, mas a civilização iraniana tem mais de 2500 anos. Alguém tem dúvida de que por muito que os acontecimentos desde 1979 tenham moldado o que o país é hoje, a alma da nação vai ainda buscar muito à força do Império Aqueménida, à beleza da poesia de Ferdusi (que resgatou o farsi da invasão de palavras árabes), à bravura desse Abbas I que expulsou os portugueses de Ormuz? Ou até aos esforços de modernização do último xá, cujo palácio é hoje visitável em Teerão, incluindo a sala onde jantou com Jimmy Carter, e no qual as legendas se limitam a identificar os objetos sem quaisquer comentários antimonarquia ou anti-América?

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

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Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.