Núcleo do Partido dos Trabalhores concentrou-se em Lisboa em apoio a Lula da Silva

O antigo presidente do Brasil está preso, condenado a 12 anos de cadeia pela Justiça brasileira, mas apresentou candidatura ao Planalto e é um dos 13 candidatos ao cargo agora ocupado por Temer.

Cerca de 80 pessoas marcaram presença esta quarta-feira, na Praça Luís de Camões em Lisboa, para apoiar a candidatura de Lula da Silva às presidenciais brasileiras. Uma iniciativa do núcleo de Lisboa do Partido dos Trabalhadores (PT), que ficou ainda marcada por alguns protestos de opositores de Lula, que passavam pelo local e que obrigaram a uma intervenção da polícia.

O antigo presidente do Brasil está preso, condenado a 12 anos de cadeia pela Justiça brasileira, num processo em que é acusado de ter recebido um apartamento de luxo na cidade litoral do Guarujá como suborno da construtora OAS, em troca de favorecer contratos desta empresa com a petrolífera estatal Petrobras.

Evonês Santos, representante do Núcleo do PT em Portugal, acredita que a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva "é um golpe para impedir que o PT volte a governar e deixar o Brasil nas mãos de potências económicas".

"Acredito firmemente na inocência de Lula. Até ao momento não há provas, o próprio Lula pede por provas. Não há fundamentos para o condenarem", afirmou à Lusa a representante do núcleo do PT.

Lula da Silva, de 72 anos, é o favorito em todas as sondagens de intenção de voto para as presidenciais do Brasil, que se realizam em outubro, arrecadando cerca de um terço das intenções de voto, o dobro de qualquer outro candidato dos, para já, 13 candidatos!

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Assunto poucochinho ou talvez não

Nos rankings das escolas que publicamos hoje há um número que chama especialmente a atenção: as raparigas são melhores do que os rapazes em 13 das 16 disciplinas avaliadas. Ou seja, não há nenhum problema com as raparigas. O que é um alívio - porque a avaliar pelo percurso de vida das mulheres portuguesas, poder-se-ia pensar que sim, elas têm um problema. Apenas 7% atingem lugares de topo, executivos. Apenas 12% estão em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa - o número cresce para uns míseros 14% em empresas do PSI20. Apenas 7,5% das presidências de câmara são mulheres.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

Quando não podemos usar o argumento das trincheiras

A discussão pública das questões fraturantes (uso a expressão por comodidade; noutra oportunidade explicarei porque me parece equívoca) tende não só a ser apresentada como uma questão de progresso, como se de um lado estivesse o futuro e do outro o passado, mas também como uma questão de civilização, de ética, como se de um lado estivesse a razão e do outro a degenerescência, de tal forma que elas são analisadas quase em pacote, como se fosse inevitável ser a favor ou contra todas de uma vez. Nesse sentido, na discussão pública, elas aparecem como questões de fácil tomada de posição, por mais complexo que seja o assunto: em questões éticas, civilizacionais, quem pode ter dúvidas? Os termos dessa discussão vão ao ponto de se fazer juízos de valor sobre quem está do outro lado, ou sobre as pessoas com quem nos damos: como pode alguém dar-se com pessoas que não defendem aquilo, ou que estão contra isto? Isto vale para os dois lados e eu sou testemunha delas em várias ocasiões.