Procurador de Paris diz que nada indica ato premeditado no incêndio de Notre-Dame

A causa mais provável para o incêndio é ter sido um acidente. Remy Heitz prometeu usar todos os meios para "conhecer a origem deste terrível incêndio".

A procuradoria de Paris disse esta terça-feira que a hipótese de acidente é a causa mais provável para o incêndio que devastou a catedral de Notre-Dame, em Paris, garantindo que "nada leva na direção de um ato premeditado".

"Cinco empresas estavam a intervir no local. Hoje, já começámos a ouvir os trabalhadores dessas empresas. Cerca de quinze são esperados para serem ouvidos", disse o procurador-geral, Remy Heitz, numa conferência de imprensa em frente da catedral de Notre-Dame.

Heitz acrescentou que a direção da polícia judiciária mobilizou cerca de 50 agentes para esta investigação.

O procurador explicou que houve "um primeiro alerta às 18:20 (17:20 em Lisboa), seguido por um procedimento para levantar as dúvidas, mas nenhum incêndio foi encontrado".

"Houve um segundo alerta às 18:43 (17:43 em Lisboa), e então, o fogo foi encontrado no nível da estrutura. Enquanto isso, a igreja foi evacuada, visto que uma missa havia começado há pouco tempo", afirmou.

As investigações serão "longas, complexas", advertiu Remy Heitz, e prometeu que "todos os meios serão usados para alcançar a verdade, para conhecer a origem deste terrível incêndio".

O incêndio na catedral de Notre-Dame, um dos edifícios icónicos de Paris e da arte gótica, foi declarado extinto pelas autoridades francesas pouco antes das 10:00 (09:00 em Lisboa) de terça-feira.

"O fogo foi extinto na sua totalidade. Agora é a fase dos especialistas", declarou Gabriel Plus, numa conferência de imprensa em frente à catedral, em Paris.

O incêndio, que demorou cerca de 15 horas até ser extinto, começou na segunda-feira, cerca das 18:50 locais (17:50 em Lisboa).

No local, o Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o pior tinha sido evitado e prometeu que a catedral do século XII será reconstruída.

A tragédia de Notre-Dame gerou mensagens de pesar e de solidariedade de chefes de Estado e de Governo de vários países, incluindo Portugal, bem como do Vaticano e da ONU.

"Majestoso e sublime edifício", como escreveu em 1831 o escritor francês Victor Hugo no seu romance "Notre-Dame de Paris", a catedral foi construída em 1163 e iniciou a função religiosa em 1182.