Na aldeia de Santa Marta de Ribarteme, os caixões não são só para os mortos

Cortejo coloca fiéis dentro de urnas abertas para homenagear Santa Marta.

É uma romaria com mais de 300 anos de história, com a primeira referência conhecida a datar de 1700: todos os anos, os habitantes da aldeia de Santa Marta de Ribarteme, na Galiza, em Espanha, desfilam dentro de caixões abertos para agradecer ou para pedir ajuda a Santa Marta, a sua padroeira. A Procissão dos Caixões acontece a 29 de julho e reúne milhares de pessoas.

"Muitas pessoas vêm à Romaria de Santa Marta para fazer ofertas, pedir ou agradecer à santa, mas o que é conhecido da procissão são os caixões com pessoas no interior. As pessoas oferecem-se para ir ali deitadas, mas também podem carregar o caixão fechado e vazio. É algo que atrai a atenção, mas é uma romaria", conta a sacristã da aldeia, Marta Dominguez, à Euronews.

Habitualmente, os fiéis carregam um santo nas procissões. Nesta caso, além da figura de Santa Marta, padroeira das causas urgentes e impossíveis, carrega-se homens, mulheres e crianças que querem pedir ajuda ou agradecer por terem ultrapassado situações difíceis.

Mesmo sabendo que não passa de um cortejo, o momento em que os habitantes se colocam dentro dos caixões é sempre complicado. Por isso a sacristã relembra: "Agarra-te. Não te preocupes que não te aconteceu nada. É a coisa mais natural do mundo. Há que morrer. Nós nascemos para morrer. Porque tens medo?"

Os familiares e amigos carregam as urnas abertas desde o salão paroquial até à Ermida da Senhora Aparecida, a cerca de 400 metros.

A primeira referência histórica a esta romaria, também conhecida como "cortejo dos amortalhados" ou "procissão dos mortos-vivos", data de 1700.

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