Morreu Kofi Annan, a "força orientadora para o bem"

Ex-secretário geral da ONU e prémio Nobel da Paz morreu aos 80 anos. António Guterres diz que Kofi Annan foi "uma força orientadora para o bem". Foi com o diplomata que se deu o início à independência de Timor.

Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, morreu este sábado aos 80 anos.

A notícia foi dada pela família do diplomata na conta do próprio no Twitter. António Guterres, que hoje ocupa o cargo do topo na ONU, já reagiu na mesma rede social: "Kofi Annan foi uma força orientadora para o bem. É com profunda tristeza que soube de sua morte." O atual secretário-geral da ONU considera que "Kofi Annan era, de muitas formas, as Nações Unidas".

Kofi Annan liderou a ONU entre 1997 e 2006, foi ele que organizou o referendo da independência de Timor, quando António Guterres, atual secretário-geral das Nações Unidas, era primeiro-ministro de Portugal. O que deu origem ao nascimento do primeiro país independente do século XXI. Timor-Leste torna-se independente em 2002.

A família do diplomata - que dá conta que nas suas últimas horas de vida esteve acompanhado pela mulher e os três filhos - sublinha que Kofi Annan foi um combatente pela paz e desenvolvimento no mundo e que se empenhou em todas as causas que pudessem contribuir para isso. Lembra também que mesmo após o fim do mandato como secretário-geral da ONU, o diplomata manteve o empenho nas mesmas causas como membro da The Elders, organização independente fundada por Nelson Mandela para lutar pela paz.

Nascido em 1938 em Kumasi, Gana, Kofi Annan foi o primeiro funcionário das Nações Unidas a chegar ao topo da organização. Estudo Economia e licenciou-se em Relações Internacionais. A sua ligação a África manteve ao longo de toda a vida e uma das suas grandes batalhas foi precisamente o desenvolvimento dos países africanos.

Em 2001 ganhou em parceria com as Nações Unidas, o Prémio Nobel da Paz, pela criação do Fundo Global de Luta contra a Sida, Tuberculose e Malária para ajuda aos países em desenvolvimento.

Annan integrou os quadros da ONU em 1962 como funcionário administrativo da Organização Mundial de Saúde, em Genebra, e mais tarde, trabalhou para a Comissão Económica para a África, em Addis Abeba. Antes de se tornar secretário-geral das Nações Unidas, foi sub secretário-geral para a manutenção da paz e foi o representante especial do então secretário-geral, o egipcio Boutros Boutros-Ghali na ex-Juguslávia, em 1995/96.

Kofi Annan aproveitou o seu último discurso como líder das Nações Unidas, em dezembro de 2006, para atingir a administração norte-americana liderada por George W. Bush, ao acusar os Estados Unidos de abusar contra os direitos humanos em nome do combate ao terrorismo.

Já antes, tinha criticado violentamente os EUA por invadirem o Iraque, em março de 2003, sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. "Quando o poder, especialmente a força militar, é usado, o mundo só o considerará legítimo quando estiver convencido de que está a ser usado para um fim correto", disse ele no discurso proferido na Biblioteca presidencial de Harry Truman, no Missouri.

Um dos problemas com que Kofi Annan se confrontou durante o seu mandato envolveu o seu filho Kojo Annan, que enfrentou uma investigação por alegadamente estar envolvido em contratos de venda de petróleo iraquiano, durante o regime de Saddam Hussein, que era trocado por comida e outros bens essenciais num programa da própria ONU.

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, no Twitter, diz ter ficado chocado com e angustiado com a morte do diplomata. "Ele era um amigo que vi há poucas semanas. Kofi Annan era um grande diplomata, um verdadeiro estadista e um colega maravilhoso", escreveu Blair.

Theresa May, a atual primeira-ministra britânica, na nota de condolências fala de "um grande líder e reformador da ONU" que "deu o seu enorme contributo para o mundo que deixou num lugar melhor".

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