Ministro japonês obrigado a pedir perdão por se ter atrasado... três minutos

O ministro das Olimpíadas emitiu um pedido de desculpa por se ter atrasado 3 minutos para um reunião parlamentar. Mas este não é o seu primeiro pedido de desculpas oficial.

O ministro das Olimpíadas japonês, Yoshitaka Sakurada, pediu esta sexta-feira desculpa por se ter atrasado três minutos para uma reunião parlamentar - o que levou ao cancelamento da reunião do comité de orçamento, segundo a BBC. Este foi a mais recente polémica com este ministro, alvo de várias críticas, por parte da oposição, que afirma que este não mostra respeito pelo cargo.

A verdade é que esta não é a primeira vez que a performance de Sakurada é posta em causa, desde que foi nomeado para o cargo em outubro. Na passada terça-feira, dia 19, o ministro afirmou estar "desapontado" por Rikako Ikee, uma nadadora olimpíada, não ir às Olimpíadas, por ter sido diagnosticada com leucemia. "Ela é uma potencial vencedora de ouro, uma atleta em quem temos grandes expectativas" lamentou.

O ministro foi acusado de ter colocado as Olimpíadas e a competição acima da preocupação com a doença da atleta. Comentários como "estou preocupado que o entusiasmo da equipa diminua" e o foco do seu discurso na competição foram alvos de diversas críticas. Yuki Edano, líder do Partido Democrático Constitucional do Japão afirmou que Sakurada "não tem a capacidade de sentir empatia por alguém que está a sofrer com uma doença terrível", citando o Japan Times. Os fãs da atleta também não se contiveram nas críticas a Sakurada, nas redes sociais. No dia seguinte, o ministro pediu desculpa numa reunião parlamentar. "Eu não tive consideração, peço desculpa e retiro o que disse" afirmou de acordo com o Kyodo News.

Outra das situações mais polémicas de Sakurada aconteceu em 2016, quando este apelidou as mulheres que foram forçadas a trabalhar em bordéis para satisfazer as necessidades sexuais dos soldados japoneses, durante a segunda guerra mundial, de "prostitutas profissionais". Durante uma reunião com outros membros do Partido Liberal Democrático disse que as mulheres foram na realidade, "prostitutas por ocupação", e que as pessoas foram "enganadas" pela propaganda que as tratou como vítimas.

O porta-voz do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul, Cho June-hyuck disse que os comentários do político japonês "não tinham sentido" e eram "ignorantes". "O que é reconhecido pela comunidade internacional é que a questão das "mulheres de conforto" é uma violação dos direitos humanos" declarou citando o Yonhap News. Mais tarde, Sakurada admitiu que os seus comentários poderiam ser mal interpretados e pediu desculpas.

Sakurada, além de ministro das olimpíadas é também ministro da cibersegurança japonesa, no entanto, no ano passado disse nunca ter utilizado um computador e que "sempre delegou as tarefas aos seus funcionários", de acordo com a Reuters. Esta descoberta deixou a população surpreendida, visto uma das funções de Sakurada ser supervisionar os preparativos de defesa cibernética para os Jogos Olímpicos de 2020 em Tóquio.

Em dezembro de 2018, durante um evento em Tóquio admitiu não saber falar inglês "Há duas coisas de que tenho vergonha desde que me tornei legislador - não saber usar um computador e não falar inglês " citando o Japan Times.

Por tudo isto, a oposição e grande parte da população têm criticado o trabalho de Sakurada e afirmado que este se deveria retirar. Uma pesquisa realizada pelo jornal Asahi Shimbun comprova-o, onde 65% dos inquiridos responderam que não consideravam o ministro das olimpíadas e da cibersegurança adequado para o posto.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

"Corta!", dizem os Diáconos Remédios da vida

É muito irónico Plácido Domingo já não cantar a 6 de setembro na Ópera de São Francisco. Nove mulheres, todas adultas, todas livres, acusaram-no agora de assédios antigos, quando já elas eram todas maiores e livres. Não houve nenhuma acusação, nem judicial nem policial, só uma afirmação em tom de denúncia. O tenor lançou-lhes o seu maior charme, a voz, acrescida de ter acontecido quando ele era mais magro e ter menos cãs na barba - só isso, e que já é muito (e digo de longe, ouvido e visto da plateia) -, lançou, foi aceite por umas senhoras, recusado por outras, mas agora com todas a revelar ter havido em cada caso uma pressão por parte dele. O âmago do assunto é no fundo uma das constantes, a maior delas, daquilo que as óperas falam: o amor (em todas as suas vertentes).

Premium

Crónica de Televisão

Os índices dos níveis da cadência da normalidade

À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?