Milhares nas ruas de Argel dizem Não a novo mandato de Bouteflika

A capital da Argélia é palco de novo protestos de grande dimensão com a multidão a contestar a recandidatura do presidente de 82 anos a um quinto mandato

Dezenas de ruas no centro de Argel estão esta sexta-feira preenchidas com multidões em protesto contra os planos do presidente Abdelaziz Bouteflika de se recandidatar a um quinto mandato, informa a Reuters.

Em Argel, uma multidão partiu de várias zonas da capital com destino aos três principais pontos de protesto: o palácio presidencial e as praças do Primeiro de Maio e Grand Post. Em todos aqueles locais encontraram um amplo dispositivo policial, que inclui polícia de choque, blindados e até helicópteros, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

"Pensavam que íamos parar, mas este é um desejo que está aqui dentro", disse à EFE uma das jovens que seguia por uma das principais ruas comerciais de Argel e que não quis ser identificada.

"Não nos serve o que disseram (organizar uma segunda consulta para eleger um sucessor depois das presidenciais), queremos a mudança já, ele (Bouteflika) deve sair", adiantou a jovem, enquanto a multidão à sua volta gritava "não ao quinto mandato", "Bouteflika fora já".

O número de manifestantes ainda deve aumentar, apesar de na quinta-feira, numa mensagem dirigida aos cidadãos por ocasião do Dia Internacional da Mulher, o Presidente ter alertado para o risco de caos.

Bouteflika apelou à "vigilância" contra uma possível "infiltração" do atual movimento de contestação contra a sua candidatura a um quinto mandato, suscetível de provocar o "caos", numa mensagem difundida pela agência oficial APS.

Ao anunciar a sua candidatura em 10 de fevereiro, Bouteflika desencadeou a maior vaga de contestação nas ruas desde que foi eleito pela primeira vez, há precisamente 20 anos.

Aos 82 anos, e enfraquecido por um AVC em 2013, que o impede de se dirigir de viva voz à população e que o limita a raras saídas públicas, o Presidente Bouteflika está hospitalizado desde 24 de fevereiro em Genebra (Suíça) para "exames médicos periódicos", segundo a Presidência argelina.

Embora o seu diretor de campanha, ​​​​​​​Abdelghani Zaalane, tenha garantido que o estado de saúde do chefe de Estado não inspira "qualquer inquietação", diversos meios de comunicação suíços referiram que a saúde de Bouteflika está em permanente perigo devido à degradação do seu sistema neurológico.