As citações inspiradoras de McCain: "Aquilo por que lutamos é o verdadeiro teste"

John McCain morreu na madrugada deste domingo. Conheça algumas citações marcantes do homem que foi durante mais de 30 anos senador do Arizona e que concorreu à presidência em 2008.

John McCain foi o candidato republicano nas presidenciais de novembro de 2008, que perderia para Barack Obama. O discurso em que aceitou a nomeação presidencial, proferido a 4 de setembro de 2008, na convenção republicana em St. Paul, no Minnesota, foi um dos mais vistos de sempre: 38,9 milhões de pessoas viram-no pela televisão (na semana anterior, o discurso de Obama tinha sido seguido por 38,3 milhões).

Eis algumas citações desse discurso.

"Apaixonei-me pelo meu país, quando era prisioneiro noutro. Amei-o não apenas por causa dos muitos confortos da vida aqui. Amei-o pela sua decência; pela sua fé na sabedoria, justiça e bondade do seu povo. Amei-o porque não era apenas um lugar, mas uma ideia, uma causa pela qual valia a pena lutar. Nunca mais fui o mesmo. Já não o meu próprio homem. Era o do meu país."

McCain era piloto e foi feito prisioneiro durante a Guerra do Vietname, depois de o seu avião ter sido abatido em outubro de 1967, tendo sido libertado apenas em 1973.

"Somos americanos primeiro, americanos em último, americanos sempre. Vamos discutir as nossas diferenças. Mas lembrar-nos que não somos inimigos, mas camaradas numa guerra contra um verdadeiro inimigo, e ganhar coragem do conhecimento de que a nossa superioridade militar é igualada apenas pela superioridade dos nossos ideais e pelo nosso amor inconquistável por eles".

"Não me importo com uma boa luta. Por razões conhecidas apenas por Deus, tive algumas difíceis na minha vida. Mas aprendi uma lição importante pelo caminho. No final, o que menos importa é que conseguimos lutar. Aquilo por que lutamos é o verdadeiro teste."

Em defesa de Obama

Em plena campanha presidencial, num encontro de McCain com eleitores, uma mulher diz ao microfone: "Não posso confiar em Obama. Li sobre ele, e ele não é... ele é um árabe". O candidato republicano abana a cabeça e pega no microfone para defender o adversário democrata.

"Não, senhora. Ele é um homem de família decente, um cidadão com quem por acaso discordo em temas fundamentais, e esta campanha é sobre isso", disse McCain.

"Ele é uma pessoa decente e alguém de quem vocês não devem ter medo como presidente dos EUA", disse nesse mesmo evento, para surpresa dos apoiantes. "Eu admiro o senador Obama e aquilo que alcançou, vou respeitá-lo. Quero que toda a gente seja respeitosa, e vamos garantir que somos. Porque é essa a forma que a política deve ser feita na América".

Sobre o presidente Trump

McCain foi uma das vozes mais críticas do presidente Donald Trump dentro do Partido Republicano, como quando reagiu aos comentários do ainda candidato sobre os pais do tenente do exército Humayun Khan, morto na Guerra do Iraque, que se tornaram vozes críticas de Trump por este querer banir a entrada de muçulmanos nos EUA.

"É hora de Donald Trump dar o exemplo para o nosso país e o futuro do Partido Republicano. Apesar de o nosso partido ter-lhe dado a nomeação, esta não vem acompanhada da licença irrestrita para difamar aqueles que são os melhores entre nós. Gostaria de dizer ao Sr. e à Sra. Khan: obrigado por terem imigrado para a América."

Já com Trump na Casa Branca, o desacordo continuava, nomeadamente em relação a política externa. "Percebo que algumas das ações e declarações do presidente Trump perturbaram os amigos dos EUA. Elas perturbam muitos americanos também".

Sobre a posição de Trump em relação à Rússia. "Não há nada de 'América primeiro' [o lema de Trump durante a campanha] em aceitar a palavra de um coronel do KGB em vez da palavra dos serviços de informação norte-americanos. Vladimir Putin não tem os interesses da América no coração. Acreditar de outra forma não é apenas ingénuo, mas coloca a nossa segurança nacional em risco".

Guerra, economia, evolução, clima...

"A guerra é miserável para além de qualquer descrição, e apenas um tolo ou uma fraude poderia sentimentalizar a sua realidade cruel", disse McCain num discurso na Cruz Vermelha Americana, em maio de 1999.

Após votar contra o fim do Obamacare (a reforma de saúde de Obama que Trump queria acabar): "Espero que possamos novamente confiar na humildade, na nossa necessidade de cooperar, na nossa dependência mútua de aprender a confiar uns nos outros novamente e, assim, servir melhor as pessoas que nos elegeram. Parem de ouvir os fanfarrões bombásticos na rádio e televisão e Internet. Vão para o inferno. Eles não querem que nada seja feito para o bem comum. A nossa incapacidade é o seu sustento".

"Argumentar contra a economia global é como afirmar a oposição ao tempo - continua, quer gostemos ou não", disse McCain.

Num debate republicano em 2007: "Acredito na evolução. Mas também acredito, quando faço caminhadas no Grand Canyon e vejo-o ao por do sol, que a mão de Deus também está ali."

Durante a campanha de 2008, McCain distanciou-se do então presidente George W. Bush em relação às alterações climáticas. "Em vez de debater de braços cruzados a extensão ou o calendário preciso do aquecimento global, precisamos de lidar com o facto central do aumento das temperaturas, da subida do nível das águas e de todos os problemas intermináveis que o aquecimento global vai trazer. Nós somos alertados por cientistas sérios e credíveis em todo o mundo de que o tempo é curto e os perigos são grandes".

Sobre como gostaria de ser lembrado

Pouco depois de revelar que tinha um cancro no cérebro, em julho de 2017, McCain foi questionado pelo jornalista Jake Tapper, da CNN, sobre a forma como gostaria de ser lembrado pelo povo americano.

"Ele serviu o seu país e nem sempre de forma correta. Fez muitos erros. Cometeu muitos erros, mas serviu o seu país. E espero que possamos acrescentar honradamente", afirmou.

No seu livro de memórias publicado este ano, The Restless Wave (a onda inquieta, numa tradução literal), deixou uma mensagem final:

"Os sinos tocam por mim. Eu sabia que tocariam. Por isso tentei, o melhor que pude, continuar a ser 'uma parte do todo'. Espero que aqueles que choram a minha morte, e até aqueles que não o fazem, celebrem como eu celebro uma vida feliz, vivida num serviço imperfeito para um país feito de ideais, cujo serviço contínuo é esperança para o mundo. E desejo a todos grandes aventuras, boa companhia e vidas tão sortudas como a minha."

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