May quer uma nova extensão curta do Brexit e negociar com Corbyn

Após ter estado reunida com os membros do governo durante mais de sete horas, a primeira-ministra fez uma declaração a partir de Downing Street. A ideia de May é garantir que o Brexit não será a 12 de abril e conseguir uma solução junto com o líder da oposição.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou que vai pedir uma nova extensão "o mais curta possível" do artigo 50 do Tratado de Lisboa e consequentemente do Brexit para ter tempo de se reunir com o líder da oposição, Jeremy Corbyn. A ideia é encontrar um acordo que possa ser aprovado pelos deputados e ter a luz verde dos restantes líderes europeus. O líder do Labour já reagiu, dizendo estar "muito feliz" por se reunir com May.

"Sair com um acordo é a melhor solução", defendeu, lembrando que sempre deixou claro que era possível tornar um Brexit sem acordo "num sucesso de longo prazo". A primeira-ministra admite que muitos "estão fartos" e gostariam de "sair sem um acordo na próxima semana".

A primeira-ministra quer "uma extensão do artigo 50" que seja "o mais curta possível" e que "acaba quando aprovarmos um acordo". O argumento para essa extensão é só um "garantir que saímos de maneira oportuna e ordenada". May admite ainda que este debate está a pôr toda a gente sob "imensa pressão" e que está "a prejudicar a nossa política".

May diz que vai reunir com o líder da oposição para "quebrar o impasse", avisando contudo que "qualquer plano terá que estar em harmonia com o atual acordo de saída", visto que este foi o único negociado com Bruxelas e que ambos têm que o seguir. "Temos que nos focar na nossa futura relação com a União Europeia", indicou numa declaração desde o número 10 de Downing Street.

"Vamos encontrar-nos com a primeira-ministra. Reconhecemos que ela deu um passo, reconheço a minha responsabilidade em representar as pessoas que apoiaram o Labour na última eleição e as pessoas que não apoiaram o Labour, mas ainda assim querem certeza e segurança para o seu próprio futuro e é nessa base que nos vamos reunir com ela e que vamos ter essas discussões", disse Corbyn à Press Association.

Se não houver acordo, a primeira-ministra irá apresentar aos deputados várias hipóteses para a futura relação com a União Europeia -- os debates sobre votos indicativos até agora não têm sido propostos pelo governo e todas as opções foram até agora rejeitadas. "O governo está preparado para seguir a posição da Câmara dos Comuns", disse May, que não era obrigada a seguir o voto dos deputados caso estes tivesse aprovado alguma alternativa. Mas, reitera, "a oposição também tem que concordar".

"Este é um tempo difícil para todos. As paixões são elevadas de todos os lados da discussão. Mas nós podemos e devemos encontrar o compromisso que garanta aquilo que o povo britânico pediu", referiu, defendendo que o Reino Unido não deve participar nas eleições europeias.

May terminou a declaração dizendo que este é "um momento decisivo" na história do país e que "requer unidade nacional para responder ao interesse nacional".

Reunião de mais de sete horas

O governo de May esteve reunido desde as 9.30 desta manhã, sem acesso a telemóveis segundo a Sky News, para decidir que caminho a seguir, depois de o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia que May negociou com Bruxelas ter sido rejeitado por três vezes pelos deputados britânicos.

May conseguiu de Bruxelas o adiamento da data do Brexit para 12 de abril, sendo que estava inicialmente previsto para 29 de março (a última sexta-feira). Até essa data, a primeira-ministra tem que explicar aos restantes países membros o que quer fazer. Qualquer adiamento longo, para lá de 22 de maio, implica a participação dos britânicos nas eleições europeias.

Um adiamento é algo que um grupo de deputados também deseja, tendo apresentado um projeto de lei no Parlamento.

Reações

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, já reagiu no Twitter. "Mesmo se, depois de hoje, não soubermos qual será o resultado final, vamos ser pacientes", escreveu. O pedido de extensão terá que ser aceite pelo Conselho Europeu.

A líder do governo escocês, Nicola Sturgeon, acusou May de "empurrar com a barriga" (uma tradução livre da expressão "kicking the can", que à letra seria "dar pontapés na lata") e "evitar tomar uma decisão", lembrando que os britânicos ainda não sabem que compromissos está disposta a fazer.

Já o líder dos Liberais Democratas, Vince Cable, diz que a primeira-ministra só está a piorar o impasse e que a única opção é apoiar um segundo referendo, que inclua a possibilidade de ficar na União Europeia.

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