May diz que não mudou de ideias sobre segundo referendo ao Brexit

A primeira-ministra participou na sessão de perguntas semanal dos deputados no Parlamento britânico, antes de partir para Bruxelas para um discutir um novo adiamento do Brexit -- previsto para esta sexta-feira.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse esta quarta-feira que não mudou de ideias em relação a um segundo referendo sobre o Brexit, mas admitiu que há deputados que podem tentar forçar uma nova consulta popular durante o processo de ratificação do seu acordo de saída da União Europeia.

O líder do Partido Nacionalista Escocês no Parlamento britânico, Ian Blackford, questionou May sobre as negociações com o Labour, perguntando diretamente se a hipótese de um novo referendo foi colocada em cima da mesa. A primeira-ministra disse que a sua opinião sobre esse tema não mudou (sempre foi contra), mas não respondeu "sim" ou "não" como lhe tinha sido pedido.

"A minha posição sobre um segundo referendo, a posição do governo, não mudou. A Câmara dos Comuns rejeitou duas vezes um segundo referendo. Quando chegarmos a um acordo, teremos que garantir que a legislação passa por esta câmara. Claro que poderá haver quem nesta câmara deseje pressionar nessa questão à medida que a legislação passe. Mas a minha posição sobre isto não mudou", afirmou em resposta a Blackford, que no 21º aniversário dos Acordos de Sexta-Feira Santa lembrou que o Brexit está a ameaçar a paz na Irlanda do Norte.

Diante da insistência de Blackford sobre o tema, pedindo para que ela "nos seus dias finais como primeira-ministra" aceite uma extensão alargada do Brexit e volte a perguntar aos eleitores se querem ou não sair da União Europeia, May voltou a não responder. Em vez disso disse que é difícil ouvi-lo todas as semanas insistir que o Reino Unido devia ficar na União Europeia, quando foi o seu partido que quis a independência da Escócia que significaria precisamente sair da União Europeia.

No início do debate, May reiterou novamente que "o melhor para o Reino Unido é sair com um acordo". A primeira-ministra lembrou contudo que há deputados que não estão de acordo com isso, garantindo que um governo conservador irá garantir o sucesso de qualquer opção.

A primeira-ministra participou na sessão de perguntas semanal no Parlamento, antes de partir para Bruxelas, para um Conselho Europeu extraordinário no qual os líderes europeus vão discutir um novo adiamento do Brexit -- previsto para esta sexta-feira, depois de um primeiro adiamento a 29 de março. May quer uma extensão até 30 de junho, mas deverá receber como contra proposta um prazo mais longo.

Sobre isso, May reiterou que vai defender um adiamento curto, lembrando aos deputados que o Reino Unido já podia estar fora das eleições se os deputados tivessem aprovado o acordo de saída.

Antes da cimeira desta tarde, o porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, disse que Bruxelas está preparada para um Brexit sem acordo. "Apesar de uma saída sem acordo ir causar disrupção e não ser desejável, a União Europeia está totalmente preparada para isso", afirmou no encontro diário com os jornalistas. "Esse não é o resultado desejado, mas não temos medo dele. Nós estamos preparados", indicou.

Corbyn focado nas eleições locais

O líder da oposição, Jeremy Corbyn, optou por não questionar May sobre o Brexit nas suas perguntas -- até porque os dois partidos estão em discussões para tentar encontrar um acordo que consiga a maioria no Parlamento. Em vez disso questionou a primeira-ministra sobre os cortes de financiamento para algumas das zonas mais pobres do país, com os olhos postos nas eleições locais a 2 de maio em Inglaterra e na Irlanda do Norte.

May respondeu que os governos locais têm hoje mais dinheiro do que tinham.

O líder do Labour fala depois da pobreza infantil, dizendo que há mais um milhão de crianças pobres graças ao governo conservador, fazendo uma ligação entre estes dados e os cortes de financiamentos em áreas mais pobres. A primeira-ministra diz que a fórmula aplicada é agora mais "justa" e volta a repetir que tem sido o seu governo a aprovar mais financiamento e que é o Labour que não está a apoiar as suas medidas e que foram os trabalhistas que deixaram "o maior défice".

May e Corbyn trocam farpas sobre o financiamento local, com May a dizer que é nos governos locais conservadores que os britânicos pagam menos impostos. Corbyn responde a dizer que em média, nos governos locais trabalhistas, os residentes paguem menos 350 libras que nos conservadores.

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