"Mais tempo, mais dinheiro e mais respeito". Mulheres suíças em protesto

As mulheres suíças prometem parar o país, nas empresas e em casa, contra a desigualdade salarial e pelo reconhecimento do trabalho doméstico. Com o slogan "Mais tempo, mais dinheiro e mais respeito", voltam à rua 28 anos depois.

A partir das 15:24 desta sexta-feira, metade da população da Suíça, as mulheres, devem sair do trabalho e não participar nas tarefas domésticas, este é o apelo de numerosas associações e sindicatos, nomeadamente a INIA (união sindical suíça), num movimento nacional que faz lembrar o de 1991, refere a imprensa local.

Lutam fundamentalmente contra as diferenças salariais entre homens e mulheres, mas também contra a violência sobre as mulheres, por uma maior representatividade nos quadros de chefia e pelo reconhecimento do trabalho doméstico.

As mulheres devem ocupar as ruas de todo o país, além de que estão previstas numerosas atividades de animação, nomeadamente em Lausana, Zurique, Berna e Genebra.

Segundo o diário suíço Le Temps, algumas empresas e coletividades locais decidiram pagar o dia de ausência aos funcionários, como em Genebra.

As mulheres suíças ganham em média menos 20 % que os homens

"Não se trata de uma greve só ao trabalho remunerado. É também uma greve às tarefas domésticas, aos cuidados, ao consumo", explicou ao jornal francês Parisien, Anne Fritz, coordenadora da mobilização e sindicalista INIA. Quem for trabalhar, "deve automaticamente deixar o local de trabalho às 15:23, já que é a partir desta hora que deixam de receber horário em comparação com os homens".

O dia de protesto começou a ser pensado em dezembro de 2018, aquando da votação às alterações da lei da paridade. O texto prevê que as sociedades com mais de 100 trabalhadores tenham salários iguais para homens e mulheres que exerçam as mesmas funções. Segundo os sindicatos e associações feministas, a lei só se aplica a 0,9% das empresas e a 46% dos assalariados.

500 mil protestaram há 28 anos

A 14 de julho de 1991, mais de 500 mil mulheres mobilizaram-se para lutar pelos seus direitos, sobretudo por o trabalho igual ser pago com salário igual. Realizou-se dez anos depois das alterações à constituição suíça que promoveram a igualdade entre homens e mulheres.

Em 1991, Mariane Mure-Pache, coordenadora da manifestação em Genebra, revoltava-se: "Os jornalistas perguntam a uma mulher porque é que faz greve e imediatamente voltam-se para o marido para saber o que ele acha".

Vinte e oito anos depois, Mariane diz que a visão dos media mudou, mas é um dos poucos avanços. "Há 28 anos era muito jovem, estava convencida que no ano seguinte alcançaríamos a igualdade entre homens e mulheres. Mas, hoje, constato que as reivindicações são muito similares às desse dia", disse à rádio France Info.

Acrescenta: "Quando se fala na Suíça, tem-se a impressão que é um país onde tudo vai bem. Mas, a título de exemplo, as mulheres só tiveram direito a votar a partir de 1971. E o último cantão a levantar a interdição do voto só o fez em 1990".

As mulheres suíças ganham em média menos 20% que os homens e uma em cada dez mulheres é despedida após a licença da maternidade, licença que, aliás, só existe no país desde 2005.

A organização espera que a mobilização de hoje à tarde ultrapasse as 500 mil mulheres de 1991. E querem que o movimento se alastre a toda a Europa.

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