Maduro diz que Venezuela pode ser um novo Vietname para os EUA

No dia em que Donald Trump telefonou ao autoproclamado presidente interino, o líder da Venezuela apelou aos cidadãos norte-americanos para o apoiarem contra a interferência da Casa Branca.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recorreu às redes sociais para pedir ajuda aos cidadãos norte-americanos contra a política de Donald Trump relativa àquele país da América do Sul. "Povo dos Estados Unidos, peço o vosso apoio para a rejeição da interferência da administração de Donald Trump, a qual pretende transformar o meu país numa 'guerra do Vietname' na América Latina. Não o permitam!", escreveu.

Isto no dia em que o presidente norte-americano telefonou ao autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, para dar uma mensagem de apoio à sua "luta para recuperar a democracia", o vice-presidente Mike Pence recebeu uma delegação encabeçada pelo encarregado de negócios venezuelano em Washington, Carlos Vecchio, e o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, fez mais pressão no regime.

O presidente dos EUA falou com Guaidó para dar os parabéns "pela sua histórica posse da presidência e para reforçar o forte apoio do presidente Trump à luta da Venezuela para recuperar sua democracia", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

Guaidó agradeceu a Trump pelo compromisso dos EUA com a liberdade e a prosperidade na Venezuela e na região e destacou a importância dos protestos em todo o país contra Maduro, que decorreram hoje e que vão repetir-se no sábado.

A Casa Branca disse que Trump e Juan Guaidó, líder da oposição tentando substituir Maduro, concordaram em manter uma comunicação regular na sequência de as autoridades venezuelanas terem aberto uma investigação que pode levar à prisão de Guaidó. O Supremo Tribunal proibiu a saída do presidente da Assembleia Nacional de viajar para o estrangeiro e o congelou os seus ativos.

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